sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Aniversário na Índia!!!


Dias 15 e 16 de agosto foram os mais melhores de bão do ano!!! Só agora que lembrei de escrever sobre meu aniversário aqui!

Bom, foi muito especial por vários motivos, mas o principal foi por estar cercada por pessoas que realmente gostam de mim!!! Passar aniversário longe da família é um tanto quanto difícil, mas quando se tem outra família digamos mundial, tudo fica mais fácil.

As comemorações começaram na 4ª feira dia 15 de agosto porque foi feriado! Claro que um dia antes do meu aniversário merece ser feriado, mas também porque a 65 anos atrás a Índia ficou independente da Inglaterra. Sendo assim, feriadoooo!!!!

Estando em casa, meu namorado lindo comprou peixe e pasmem: fiz uma moqueca de peixe!!!! E ainda tomei um copo do caldo de peixe!!! Que momento feliz!! Até coloquei mais pimenta no caldo! Quase o gosto de caranguejo!!! E depois claro que soneca a tarde inteira!

Acordei de saímos pra jantar. Acredita que eu não lembro onde fui! Enfim, não é a parte mais importante. O importante é quando eu voltei para casa, o meu presente estava na sala – o maior presente que ganhei na minha vida: um colchão!!! É isso mesmo, ganhei um colchão de aniversário do pessoal da república + namorado!!!! O fato é que eu acho que eles estavam cansados de me ouvir reclamar do colchonete que a gente tem aqui e me compraram um colchão de verdade rsrsrsrs.

Papo vai, papo vem, todo mundo deitado no colchão, nem vi a hora passar e quando deu meia noite, lá vem o bolo com as velas!!! Ah que coisa mais fofa! Eu sabia que eles estavam aprontando alguma coisa! Além do bolo, mais alguns presentinhos como lembrancinhas do Taj Mahal, livros, maquiagem e esmaltes!

Daí fui dormir no meu colchão novinho porque tinha que trabalhar no dia 16. Cheguei na empresa e algumas pessoas me deram os parabéns – visto que o skype avisa quando é aniversário de alguém. Depois de um tempo a mulher do RH veio me desejar feliz aniversário e me deu um buquê de rosas champagne!!! Muito chique, não?!

Moral da estória: comecei os 2.4 muito bem! Obrigada a todos que fizeram esse momento ser inesquecível!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A 2ª Viagem - Mount Abu e Udaipur


EEeeeeeeeeentão, pois é, tipo assim, sabe como é a vida né, tem horas que não dá né, então.. essa sou eu dando voltinhas para dizer que sim, fui viajar com meu namorado!!! Rá, morram de inveja :p

O plano inicial era comprar as passagens de ida e de volta, e não planejar o que fazer durante! Eu precisava relaxar, parar um pouco de prestar atenção em tudo, planejar tudo com antecedência.

A primeira cidade chama Mount Abu e fica no estado do Rajistão (ou Rajasthan para os entendidos de geografia). É um estado ao norte do meu atual (Gujarat) e mesmo sendo alguns Km de distância, as diferenças são perceptíveis. Era outro reino, portanto outra cultura.

Saímos de Vadodara as 21h de ônibus e chegamos a Mount Abu as 6h da manha do dia seguinte. Detalhe: o ônibus eu comprei a passagem de “sleeper”, ou seja, era uma cabine fechada com cama de casal (porque comprei 2 passagens claro)! Que delícia viajar dormindo abraçadinhos com ar condicionado!!!

Bom, Mount Abu é igual Serra Negra no estado de São Paulo! Sabe aquele lugar friozinho para passar o fim de semana? É lá! Tivemos um pouco de dificuldade para achar um hotel bom porque o meu conceito de bom estava estranhamente elevado e acabamos pagando “caro” por um quarto, algo em torno de 100 reais hahahaha!

Do hotel alugamos uma moto pelo dia inteiro: moto + combustível = 15 reais! Subimos um morro e chegamos a um templo Jainista chamado Dilwara. Pelo que entendi, Jain é uma divisão do Hinduísmo um pouco mais extrema: são 100% vegetarianos, isto é, nem ovo comem, e alguns alimentos também são proibidos, como alho e cebola, porque são considerados “forte” e atrapalham o senso crítico, levando as pessoas a cometerem besteiras :s

Tradições a parte, o templo é lindooo! Fotos não são permitidas lá dentro, e como todo templo hindu, tem que entrar descalço (ou de meias). Nesse site tem uma foto da parte de dentro do templo. http://www.mountabu.com/tourist_attractions/dilwara_jain_temple.html

Saindo desse templo fomos almoçar e começou a minha saga de comida indiana! E por incrível que pareça, 
fui para o Norte e comi bastante comida indiana do Sul, porque meu namorado é do Sul e ele sente saudade dessa comidinha! Oooooohn!

Depois subimos outro morro para ver a vista de todo lugar! Chamado Sunset Point (ou ponto do pôr-do-sol para os menos familiarizados com o idioma bretão), o lugar é no topo da montanha e tem um templo também. Pena que por causa da neblina não dava pra ver muita coisa, mas só o passeio de moto valeu a pena! http://www.gurukrupatours.com/images/Mount-Abu.jpg

Voltamos para o hotel para descansar porque a subida e descida nos deixaram mortos: eu com gripe e ele com dor de cabeça. O bom de não planejar as coisas é não ter horário para nada: se quiser dormir as 5 da tarde, é só encostar a cabeça no travesseiro e dormir :D Quando acordamos fomos caçar um alimento e dar uma voltinha no centrinho da cidade. Mais uma vez igual a Serra Negra na temporada!

Aí vem a brilhante ideia: vamos andar de pedalinho no lago Nakki – as 9h da noite!! Por que não né galera, quem nunca entrou numa embarcação num lago escuro na Índia? E o mais engraçado é quem disse que a gente conseguia sair do lugar rsrsrsrs. Nesse link tem algumas fotos do lugar http://www.google.com/search?q=Nakki+Lake&hl=pt-BR&prmd=imvns&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=KD8ZUNOeA87EswbjgoCADg&ved=0CFcQsAQ&biw=1280&bih=709

Depois da “aventura” no pedalinho, fomos caçar algum alimento.. compramos frango tandoori e levamos pra comer no hotel – é isso mesmo!! Farofadaaa!!!

Bom, no dia seguinte acordamos cedo e tava uma neblina na cidade que deu medo, parecia filme de terror!!! Pegamos o ônibus para Udaipur: 150km de viagem em agradáveis 5 horas, claro que com direito a 2 paradas de meia hora cada!!!!

Nesse trajeto durante o dia foi interessante ver as propriedades rurais na estrada – sim, eu estudei Administração e Agronegócios e as vezes lembro da parte “agro”. As “fazendas” tem áreas cultivadas bem pequenas comparadas com as nossas no Brasil, pequenas o suficiente para não se poder usar nenhum trator, mas “grandes” para o trabalho manual e tração animal. Pelo jeito a “revolução verde” ainda ta longe de acontecer aqui.

Chegamos em Udaipur por volta de 1h da tarde e tínhamos até as 9h da noite pra conhecer a cidade e não tínhamos nem ideia de onde começar! Improviso é a alma do negócio galera! Perguntamos ao motorista do auto rickshaw – é aquele triciclo também chamado de tuk-tuk – e ele nos levou ao Palácio da Cidade. Super lindo!!! Vale uma visita demorada com certeza. http://www.visitindia.org.in/rajasthan/images/city%20palace%20udaipur.jpg

De lá o próximo motorista recomendou o teleférico até o Sunset Point para ver o pôr-do-sol, pena que tava meio nublado. É, mais uma vez eu enfrentando o perigo de frente, por que ao andar de bondinho na Índia???!!! Muito bacana a vista da cidade, e dos lagos e as construções no meio do lago https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh4CzUfdiWLkiRUZ5rLCRC8sBiyvNiEGRv1i6nIgKH00fGSmj4JubdziopGxrDU032GYFte1vaHgyKeUXgM1GG3MSoSsPadsSzm_M4Ue7_CBJHMYToDp4zu5oBw1p-sQnCWApq2Wkh6vd-7/s640/360view.JPG

Saindo de lá uma paradinha estratégica no shopping para utilizar as instalações sanitárias – jeito bonito de dizer que precisávamos de um banheiro urgentemente!!! Problema resolvido, tínhamos 3 horas até o horário de partida do ônibus!

Recomendação de outro motorista, fomos a outro lugar que foi total surpresa para mim porque eu não fazia ideia de onde estava indo. O rickshaw deixou a gente na entrada de uma barca, achei que era só um passeiozinho no lago. E sim, novamente eu entrando numa embarcação, quase de noite, na Índia!
Vale ressaltar que o ticket dessa barca para indianos era tipo 20 rupias e para estrangeiros, algo em torno de 125, e mais uma vez “Luiza não abre a boca que você passa por indiana”! A balsa deixou a gente numa ilha no meio do lago onde um dos reis mandou fazer um jardim Nehru Garden!!! Por que não ter um jardim no meio do lago?! Lindo lindo!! Ficamos uns 40 minutos lá, só de “meia folha” – expressão santista para dizer “de boa na lagoa”! Rsrsrsrs sim, estávamos de boa no meio de uma lagoa! Nem foi intenção fazer essa piada, até eu estou surpresa com meu subconsciente! http://udaipurcityoflakes.files.wordpress.com/2012/06/nehru_garden-1.jpg

Depois dessa ilha fomos jantar e de lá pegar o ônibus para voltar a Baroda. Nem precisa dizer que eu apaguei na viagem, dormi igual a um bebê até as 4 da manha, porque minha parada era as 5h e eu não queria perder o ponto.

Então foi isso, uma viagem sem muito planejamento e cheia de surpresas ótimas pelo caminho, mal posso esperar para o próximo destino!

Moral da estória: relaxa Luiza que no fim tudo dá certo ;)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Quase 5 meses de Índia


Faaaaala galera, beleza?

Minha ausência no blog se deve a um único e exclusivo motivo: 1,80m, moreno, usa óculos, adora arroz com ovo e está até me fazendo ir na academia para malhar rsrsrs. Por esse pequeno motivo estou fora da internet, principalmente nos fins de semana.

Fora essa alegria no coração, a vida por aqui continua na mesma: no serviço aquela briga para fazer o que eu vim fazer. Acho que não contei essa parte ainda, vamos lá. Era uma vez certa descrição do cargo tava escrito que meu trabalho seria pesquisa de mercado, o que graças ao Profº Marcelo eu adoro fazer: levantar informações para basear as decisões empresariais. Chegando aqui meu querido chefe me colocou para fazer Vendas – a decisão de abrir uma filial da empresa indiana no Brasil seria baseada no número de clientes que eu arrumasse enquanto estiver aqui.

A estratégia para conseguir clientes era baseada na pesca: mandar um monte de email e ver quem responde! Sério, nada de marketing, nem um website em português eles queriam fazer, nem um perfil corporativo no linkedin! E covenhamos, eu e vendas?! Rsrsrs

Outro problema com esse departamento de vendas era: ok, conseguimos um cliente, agora precisamos prestar o serviço que vendemos certo? Anunciamos que podemos fazer recrutamento de candidatos em qualquer lugar do mundo, mas a base de currículos não é assim uma Brastemp (hahahaha saudades do tempo de Whirlpool em Rio Claro/SP).

Enfim, depois de 4 meses de brigas, finalmente fomos ouvidos e agora estamos alocados para pesquisa de mercado :D Mas as coisas ainda andam meio esquisitas no escritório, talvez algumas cabeças rolem antes do término do contrato – vish!

Enquanto no escritório as coisas estão ficando complicadas, viver na Índia está cada vez mais fácil. O segredo é não remar contra a maré, simples assim! Estou começando a me virar bem aqui, e como pareço indiana, as pessoas falam comigo em Hindi, Gurajati, mas o que eu entendo mesmo é o Hinglês, a mistura de Hindi com Inglês. Agora lá compro algumas coisas nos mercados locais (onde as pessoas não falam inglês, o que não acontece nos supermercados luxuosos e limpos :s). Mando minhas roupas para lavar no carinha da esquina: sério, por 15 rupias (algo como 50 centavos) ele lava e passa 2 peças de roupas, tipo uma camisa social e a calça social! Por 50 centavos não dão nem bom dia aí no Brasil hahahaha.

E o mais esperado aconteceu: chegou a época da chuva!!! A primeira chuvarada de verdade fomos pro terraço tomar banho de chuva! Aqui eu esperava inundações constantes, com vacas nadando nas ruas, cachorros e esquilos se refugiando em árvores, mas que nada! Como Gujarat é um estado seco (com direito a desertos), as chuvas não pegam muito aqui não, então a primeira chuva foi especial *.*

Moral da estória: estando na Índia, reme na maré dos indianos ;)

terça-feira, 12 de junho de 2012

A viagem para Mumbai


Primeiramente não me xingue, eu sei que faz tempo que não escrevo... também faz tempo que não durmo direito, não trabalho direito, só como direito rsrsrsrs. Digamos que o coração está me controlando mais do que a razão. É , isso mesmo, para bom entendedor, meia palavra basta!

Mas aproveitei um fim de semana de “solteirice” e fui a Mumbai (antigamente conhecida como Bombay) de trem com os outros trainees que moram comigo. Foi minha primeira viagem de trem na Índia e uma coisa é fato: estação de trem aqui é para as pessoas de estômago forte, os fracos não sobrevivem.

Viajar de trem na Índia é muito barato se a pessoa opta pela classe mais barata: ela é tão barata que mal te dá direito a um assento! As outras classes porém (3ª, 2ª e 1ª classe) são extremamente confortáveis: ar condicionado, camas com lençóis limpos e refeição. Viajamos na 3ª classe numa cabine com 8 camas, ar condicionado, água, refeição e a viagem de ida e volta, comprada 2 semanas antes por uma agência de turismo custou em torno de 1500 rupias, ou simples R$45,00! Super barato!!!! Para ir, saímos de Baroda as 3:40 da manha e chegamos lá as 8h40. Acho que foi uma das minhas melhores noites de sono aqui por causa do ar condicionado e do cansaço.

Chegando lá, outra coisa para estômagos fortes: pegar o ônibus circular para ir da estação de trem até o hotel, que era perto do Gateway of India! Acho que sou muito brasileira nesse sentido, sinto falta das catracas, do cobrador sentadinho na cadeirinha dele. Aqui o cobrador fica andando pelo ônibus, perguntando onde você vai para calcular a tarifa. Enfim, chegamos a esse lugar e WOW!!! Super lindo! Lembra o Arco do Triunfo em Paris, só que a beira-mar para recepcionar os reis que vinham visitar a Índia.
De lá, mais uma vez força no estômago: pegar uma barca para ir para a Elephanta Island. Isso, se andar de trem e ônibus circular não fosse o suficiente, pegamos 1h de barca no mar arábico para chegar nessa ilha e ver um dos patrimônios da UNESCO, um conjunto de templos cravados em cavernas, datados do século VII. Valeu muito a pena ir até lá, e a barca foi 130 rupias, quase R$4,00 para ida e volta! C’mon, com 4 reais eu não vou de Cubatão a Santos de circular rsrsrsrs.

Na volta fomos fazer o check-in no hotel e outra boa surpresa: reservei o hotel baseada em algumas recomendações via facebook, mas não tava botando muita fé porque foi o lugar mais barato que a gente achou! Achei que seria o maior pulgueiro da história e quando chegamos lá, o lugar era super jeitoso! Limpo, novo e com europeus andando semi-nus no corredor para a alegria da mexicana! Uma diária saiu por R$13,00 cada um :D

Depois do check-in, descansamos um pouco e fomos desbravar Colaba em busca de um lugar pra jantar e encontramos Leopolds Café! Aaaaah que alegria! Cerveja e carne – de búfalo, mas mesmo assim melhor do que suco e frango né galera rsrsrsrsrs. Depois do Leopolds fomos a um bar dentro de um hotel de luxo, mas a pobreza só permitiu beber 1 copo de bacardi com Pepsi, mas o lugar era chic!
Depois fomos andando pela Marine Lane, também conhecido como Queen’s Neckless: um calçadão com bancos para sentar com vista para o mar! Finalmente vi alguma coisa que parecia familiar: as ondas batendo nas rochas, o cheiro de água salgada.. foi uma recarga nas energias. Depois disso pegamos o taxi e voltamos para o hotel.

Ao acordar no domingo de manha uma surpresa: chuva!!! As monções chegaram!!!! Foi a primeira chuva de verdade que a gente viu! Durou 1 hora mais ou menos, foi o tempo de tomar banho e café da manha para sair. Queríamos ir ao Museu de Mahatma Gandhi, é isso mesmo, queríamos, foi um tanto complicado chegar lá: pegamos um ônibus que deveria parar perto, mas depois de uma meia hora descobrimos que não ia chegar nem perto do lugar, daí descemos e pedimos para um taxi levar a gente. Depois de toda negociação de preço e explicar que queríamos ir lá, o cara levou a gente de volta pro lugar onde pegamos o ônibus, ele só entendeu museu, e não Gandhi museu!!!  Esse outro museu é de arte, seria interessante visita-lo, mas para estrangeiros o ingresso era 300 rupias (9 reais). Ta, eu sei que não é muito, mas a grana já tava curta e ainda tínhamos que almoçar e pegar outro transporte para a estação para voltar de trem para Baroda, então decidimos não ir a esse museu e fomos atrás de outro taxi para ir ao Gandhi Museu.
Enfim achamos o Gandhi Museu! Está localizado numa casa que ele usava como escritório quando estava em Mumbai, tem até uma pequena biblioteca lá. É definitivamente um passeio que vale a pena! E de graça :D

De lá fomos de taxi a Bandra, outra área nobre de Mumbai! Almoçamos no KFC – éeeee, frango frito galera! Depois tivemos que fazer uma parada estratégia na loja de bebidas – ta, deixe-me explicar o motivo: eu moro no estado chamado Gujarat e aqui álcool é proibido para os indianos, e os estrangeiros podem comprar cotas semanais, desde de que paguem pela licença. Como estávamos em outro estado que a bebida é liberada, tivemos que aproveitar a oportunidade: 2 vinhos e 1 rum contrabandeados para Baroda :D Ta, eu sei que não fiz uma boa ação porque economizei no museu para comprar bebida, mas queria ver você nessa situação :p

Da loja de bebidas paramos num café para a sobremesa – torta de limão com cappuccino gelado (que dia feliz!) e na hora de ir para a estação de trem, chuuuuuva de novo! Pegamos o taxi, chegamos na estação e esperamos 30 minutos para pegar o trem de volta. Nesse trem ofereceram tanta comida que chegou um ponto que eu fiquei desconfiada se tudo aquilo tava incluso no preço da passagem: 1l de água, sanduíche, café, sopa e depois o jantar: frango, arroz, salada, yougurte.. e para sobremesa sorvete! Foram quase 6h comendo de lá até aqui rsrsrsrs.

Enfim, o passeio foi muito bom, pena que foi curto. Adorei as 2 áreas de Mumbai que eu conheci (Colaba e Bandra). Talvez eu não vi a realidade da cidade porque fiquei na área nobre, mas do mesmo jeito a cidade entrou para a minha lista de lugares preferidos no mundo!

Moral da estória: é, acho que posso morar em Mumbai!

terça-feira, 1 de maio de 2012

A Índia e as relações trabalhistas


Ae galera que está na praia/no campo tomando uma gelada e fazendo churrasco porque é feriadão!!! Beleza com vocês?  Sabe onde eu estou agora? Na empresa porque NÃO ME DERAM FOLGA NO 1º DE MAIO!!!!!

Daí a inspiração para o post de hoje: as “leis” trabalhistas aqui na Índia. Ok, eu não tenho muita informação sobre o assunto, então vou falar das minhas impressões, pode ser que na real essas leis até existam, mas não vejo muito suas aplicações por aqui.

Primeiramente, os indianos acreditam que trabalham num ambiente super competitivo porque existem muitas pessoas capacitadas para ocupar seus lugares nas empresas, então eles trabalham “muuuuito” por causa do medo de serem substituídos. Aqui entra uma diferença cultural: o muito deles é dedicar de 9 a 10 horas por dia no ambiente de trabalho, digo ficar aqui no escritório esse tempo todo, mas vejo que apenas em 40% do tempo eles estão realmente focados no trabalho. Esse mesmo número no Brasil (ao menos em SP) seria em torno de 85% a 90% eu acho; Europa algo em torno de 90 a 99% rsrsrs.

Outro problema causado pelo fato de existir muita gente capacitada no mercado de trabalho aqui é o baixo salário. Quando digo capacitada falo do pessoal que pode cursar nível superior, Não posso afirmar com certeza, mas de 15 a 20% da população aqui tem nível superior, um número baixo, mas aplicado a uma população de 1,2 bilhões é gente pra caramba!!! E não é só uma graduação (bacharelado): o pessoal faz os MBA, mestrados.. Mas como tem muita gente, o salário é baixo. Um indiano feliz no começo da carreira ganha de 15 a 20 mil rupias (entre 300 e 400 dólares) e é muuuito feliz com isso! Já para profissionais sem nível superior, salário de 3,5 a 5 mil rupias ta ótimo (é, menos de 100 dolares)! Uma vez ouvi que os guardas de transito e enfermeiros ganham algo em torno de 150 dolares o.O

Ah, e aqui o salário é seco, digo sem 13º, plano de saúde, desconto em escola para os filhos,, tem nada disso não. Eles até podem tirar férias, mas é mais o conceito de folga: você pode folgar 30 dias no ano, mas distribuídos ao longo do ano: 2 dias em janeiro, 2 em fevereiro... Ainda não sei como é no meu caso porque sou trainee e algumas regras não são as mesmas, mas se aplicada a mesma regra para os funcionários regulares, seria assim: eu comecei a trabalhar em março, daí perdi os 4 dias (2 de janeiro e 2 de fevereiro), mas em março eu só podia tirar 2 dias, se eu não tirar, eles acumulam para abril. Porém o inverso não vale: se precisar tirar 4 dias em março e não tirar nenhum em abril não pode.

Falando em férias, voltemos ao problema que você está aproveitando o feriadão e eu não. Ao perguntar para o chefe porque não teríamos folga no Dia do Trabalho, a seguinte explicação foi dada: “a pessoa só é funcionário se ela executa sua tarefa sob a supervisão de alguém; se você está supervisionando, você não é funcionário, daí não tem direito a dia do trabalho. No caso de vocês [trainees], vocês supervisionam a sua cartela de clientes, portanto não são classificados como funcionários”. Taí a explicação porque você ta no churras e eu no escritório hoje T_T

Moral da estória: Holá leis trabalhistas do Brasil, te amo!

domingo, 29 de abril de 2012

Super poderes em desenvolvimento


Oii galera! Eu sei que fiquei sem escrever um pouco, é a vida não é fácil por aqui e passa muito rápido também.. já tem 2 meses que eu saí do Brasil, acredita?

Enfim, a vida continua a mesma por aqui: acordar de manha, enrolar, comer alguma coisa, ir pra empresa, voltar da empresa, enrolar, jantar, dormir  - e no meio disso tomar a quantidade máxima de banhos possível! Eu virei viciada em banho!!! Acordo de madrugada as 2h da manha e tomo um banho o.O

Agora sobre o post de hoje: a inspiração veio ontem quando fui assistir “Os Vingadores” – E AGORA O MOMENTO SPOILER DO POST, SE VOCÊ NÃO VIU O FILME, VÁ DIRETO PARA O PRÓXIMO PARÁGRAFO!!! EU NÃO VOU AVISAR DE NOVO!!! Hahahahaha. Bem, no filme, o Dr. Bruce Banner se isola em Calcutá na Índia para aprender a controlar sua raiva, e trabalha como médico ajudando as pessoas doentes na cidade.  Aí vem a questão: o que a Índia está fazendo para eu controlar o meu temperamento?

Não sei se é eu que estou ficando mais velha e mais “má” ou se é a condição de vida aqui que está me mudando. Sempre fui uma pessoa calma, equilibrada, até um pouco passiva, eu diria. Aqui as coisas estão um pouco diferentes, a frase do dia é “Por que não?” Me sinto muito mais atrevida, sem medo, tomando iniciativa e enfrentando as situações de frente. Já estou antevendo meu chefe me mandando embora porque respondi atravessado pra ele hahaha. Outro dia ele veio: você não confia em mim Luiza? Claro que não!!!! Por que eu mentiria? Parte desse comportamento vai me ajudar bastante quando eu voltar para o Brasil, mas não quero me tornar uma pessoa arrogante como eu estou me sentindo aqui.

Mas pelo outro lado estou me sentindo mais tolerante em relação a outras coisas. Aprendi a não criar expectativas e me surpreender com o qualquer resultado que aparece, desde que seja um resultado.
Acho que a soma das minhas experiências por aí nesse mundão de meu deus adicionada a intensidade das coisas aqui na Índia estão desenvolvendo um super poder em mim, algo como um sexto-sentido: eu sinto se alguma vai dar certo ou vai dar merda, merda na maioria dos casos rsrsrsrs

Agora fiquei imaginando: 2 meses aqui em reabilitação (quase sem álcool, sem festas, sem carne, cheia de roupa num calor de 42°C) já fizeram tudo isso comigo, imagina mais 7 meses aqui????!!!! Acho que eu tenho que aprender a meditar antes de cometer um assassinato hahahahaha.

Moral da estória: Super Luiza!!! Ao resgate dos fracos e indefesos!!! 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Você sabe que está na Índia quando...

Ontem a noite tava muito quente para eu dormir, aí as 4h da manhã levantei e fui dar aquela olhadinha básica no facebook e surgiu a ideia para um post! Momentos assim de criatividade tem que ser aproveitados né :D

“Você sabe que está na Índia quando...

... é 4h da manha e ta o mesmo calor de meio dia”. Sério! Abandonei o conceito de estar no quarto dormindo nesse horário. É melhor levantar e fazer alguma coisa produtiva como facebok rsrsrs.

... você vê vacas e búfalos na rua comendo o lixo e fugindo dos cachorros”. Ta, eu sabia que teriam vacas na rua, mas imaginava poucas e que elas seriam bem tratadas e não largadas como vacas “vira-latas”. Elas são muito dóceis e as vezes os cachorros de rua não querem dividir o lixo, daí começam a latir para elas, dá muita dó do “churrasquinho” correndo dos cachorros.

... o motorista do taxi (rickshaw ou tuktuk) tenta cobrar 5 vezes mais caro de você o valor da corrida só porque você é estrangeiro e não sabe como chegar no seu destino”. Fato: se o aparelho que mede as distâncias está ligado (não sei o nome do meter em português, no Brasil sou pobre e não ando de taxi, só de busão mermo hahah), o cara vai pelo caminho mais longo possível!!! E lá se vai tempo e dinheiro.

... você diz que caminhar 25 minutos não é nada e as pessoas ficam espantadas: como você pode caminhar tudo isso?!”. Aqui não existe o conceito de calçada: do muro das casas já começa o asfalto direto, mas tem como se fosse uma área que os carros “deixam” para os pedestres, mas só as vezes. Se necessário eles “invadem” essa área. Atravessar a rua também é uma aventura, todo dia dá aquela sensação de “pqp quase morri agora” ou “vai buzinar na orelha da tua mãe”

... você sai na rua e conta 3 segundos por causa da regra dos 3 segundos”. No trânsito durante o dia, você ouve uma buzina pelo menos 1 vez a cada 3 segundos. Porém essa regra não se aplica a noite, o tempo sobe para os agradáveis 5 segundos de silêncio.

... quando os indianos perguntam qual é a comida típica do seu país e você responde que come carne e eles só pensam em carne de frango”. Aqui nem pode falar em voz alta que aquelas vaquinhas na rua dariam um belo churras – se bem que eu prefiro o boi verde brasileiro, com sua dieta balanceada, vacinas, vitaminas do que as vacas de rua daqui o.O

... quando te chamam de madame”. Ah, é o ponto alto do meu dia quando as 17h40 o copeiro vem trazer o chá na minha mesa , numa xícara de porcelana e diz: seu chá, madame!

... quando os indianos querem ser seu amigo só porque você é estrangeiro”. Aqui é suuuuuper cool ter um “frrrrrriend” estrangeiro, daí pessoas aleatórias te param na rua e pedem pra ser seu amigo ou te adicionam no facebook, skype e eu nunca sei se eu conheço a pessoa ou não porque nunca lembro esses nomes indianos, aí acabo adicionando e depois vem aquela pergunta: de onde eu te conheço mesmo? Ah a gente não se conhece J - Olá! Meeedo de você indiano doido!

... quando um indiano está te paquerando e ele pergunta seu histórico familiar e se você é altamente estudada”. Sério, você acaba de conhecer uma pessoa e já pergunta o nome da mãe, profissão do pai, qual é sua graduação mais alta... esses conceitos aqui são importantes para arranjar o casório, é a caça a um bom partido. Outro post será editado em relação a relacionamentos na índia, eu prometo ;)

... quando os indianos perguntam se eu país fica perto da Itália, Espanha ou da fronteira dos EUA”. Hahahaha eles precisam de aulas de geografia urgente!!! Só conhecem os países destinos dos imigrantes indianos. Outro dia me perguntaram se Milão ficava perto do Brasil o.O

... quando toda vez que eu mato um mosquito eu penso que salvei alguma pessoa te ter febre amarela ou malária”. Eu diria que os mosquitos indianos são parentes direto dos dinossauros porque eles são muito grandes! Assustadoramente grandes, do tipo que se você está andando na rua e esbarra num mosquito, você sente! Eles precisam ter algumas aulas com os mosquitos brasileiros do tipo: “como ser um mosquito ninja” ou “a arte de morder sem ser visto”.

... quando durante o verão você pára e pensa: quando foi a ultima vez que eu vi chuva mesmo?”. 1 mês e 17 dias sem ver chuva, e tenho quase certeza que na época das monções vai ser o contrário: quando foi a ultima vez que vi o céu limpo mesmo?!

... quando alguém diz que alguma coisa vai ser feita “tomorrow” e você já tem certeza que amanha é semana que vem”. Os conceitos de comprometimento, prazos e qualidade são distorcidos aqui: amanha é semana que vem, perto é muuuuito longe, o bom é um pouco abaixo do aceitável rsrsrs

... quando você pergunta alguma coisa simples, cuja resposta seria sim ou não e os indianos respondem com aquele aceno esquisito de cabeça". É tipo uma chacoalhadinha que não significa nem sim nem não que dá muita raiva porque não é uma resposta concreta, mas devo confessar que já estou fazendo isso naturalmente!

Moral da estória: é, eu to na Índia!

sábado, 14 de abril de 2012

O 1º mês

Bom, primeiramente peço desculpas pelo meu sumiço.. acho que demorei uns 3 dias pra escrever tudo isso, então esse post pode parecer sem muita ligação, com muitas coisas meio jogadas. Não, não estou muito feliz com a estrutura desse post, i'll do my best next time :*

É, já tem 1 mês que eu estou aqui, na verdade já passou mais de 1 mês, mas só hoje (7/04) eu tive tempo pra escrever.. Queria fazer um post legal sobre o 1º mês aqui, mas criatividade está escassa, assim como proteína de origem animal no meu organismo hahahaha - sério, to começando a ficar paranoica com a falta de carne o.O

Bom, mas antes vou falar como foi essa semana,, foi legal. Eu mudei meu horário de trabalho e agora sou uma pessoa mais feliz porque trabalho das 14h as 22h e depois das 19h, o escritório fica vazio e sossegado, mó tranquilo pra trabalhar. Em relação ao trabalho em si, está frustrante porque tenho que conseguir clientes em Brasil e nenhum desalmado está respondendo meus emails. Alguém tem alguma dica de como prospectar clientes? Alguém conhece alguma empresa que precisa de recrutamento de funcionário? (propaganda é a alma do negócio).

Fim de semana passado fui ao cinema ver Fúria de Titãs 2. Cinema aqui é bem parecido com os do Brasil, tirando o fato que o filme começa exatamente no horário – sem trailers – e que tem o intervalo no meio bem de repente. Também é meio caro, um filme 3D algo em torno de 200 rupias.

Uma semana se passou e eu não escrevi nada no blog de novo.. to meio sem assunto,é só trabalho, trabalho, trabalho, preocupação com a moradia... coisas chatas

E agora o balanço do mês (na verdade de 1,5 mês porque fiquei 2 semanas sem postar):

Bom, não sei se eu já disse isso, mas tudo aqui é muito intenso. Uma hora a Índia te abraça, 1 segundo depois ela te chuta longe. Acho que eu já vi de tudo aqui: estrangeiros chegando e xingando porque é tudo sujo e bagunçado; estrangeiros indo embora com lágrima nos olhos porque não querem deixar essa sujeira e bagunça.

Aprendi o conceito do “TOmorrow”, o que significa amanha: se alguém aqui disser que algo acontecerá “amanha”, ih, pode esperar para a semana seguinte. Eles não são tão “homens de palavra” aqui.

Aprendi que a minha felicidade é muito mais barata do que eu pensava: num calor de 40°C, qualquer brisa me faz abrir um sorriso enorme no rosto. Lavar o cabelo 2x ao dia também de deixa feliz e o ápice da minha felicidade é chegar na empresa 2ªf por causa do ar condicionado hahahaha.

Sinto falta das coisas simples que a gente tem no Brasil e não dá valor. Sinto falta de sair na rua com short e blusinha de alça – aqui é ofensivo sair assim (outro dia posto sobre o código de vestimenta daqui). Sinto falta de comprar frango sem ter que procurar um mercado que venda frango – porque aqui não são todos os mercados que vendem.

Moral da estória: tenho muuuuuita coisa para vivenciar aqui!

segunda-feira, 26 de março de 2012

A semana de 19 a 25 de março

É, to ficando meio sem criatividade para nomear os post, sorry :p

Também estou ficando sem tempo para escrever. Aqui ou as coisas são muito lentas ou muito rápidas: uma hora você morre de tédio, na outra não tem tempo nem de respirar.

Bom, vejamos os acontecimentos da semana: na verdade eu não lembro. Acredito que durante a semana não aconteceu nada de especial, só de casa para a empresa, da empresa para a casa e no meio do caminho uma passada básica no supermercado, afinal de contas, preciso comprar o miojo nosso de cada dia rsrsrs.

Bom, falando de mercado, acho que vou comentar um pouco sobre a alimentação daqui. Eu almoço na empresa, então é comida indiana de segunda a sexta: uma marmita com 5 compartimentos diferentes:

1) dahl: esse negócio é um caldo apimentado para colocar no arroz para temperá-lo – eu não consigo nem olhar pra cara desse dahl, é mais xexelento que kebab!

2) arroz: normal, sem cebola ou alho, mas pelo menos tem um salzinho ¬¬

3) qualquer legume cozido ao estilo indiano, ou seja, com muuuuuuito tempero, geralmente vem batata, ervilha, grão de bico, lentinha, repolho..

4) ruti: é tipo um pão sírio bem maleável que a galera aqui usa como “colher” pra comer os legumes. Isso mesmo: corta um pedaço dessa “paqueca” usando apenas a mão direita e utiliza esse pedacinho para pegar os legumes e colocar tudo na boca

5) um salgadinho tipo aqueles de isopor daí, só que sabor óleo de fritura ao invés de queijo (digo chulé rsrsrs) e com cores esquisitas como laranja e rosa. É a parte mais alegre do dia, a hora de comer os salgadinhos gordurosos hahahaha.

E esse é meu almoço! É, você está sentindo falta de alguma coisa, tipo uma salada crua e proteína de origem animal? EU TAMBÉM!!! AAAAAAAAAAhhhh! O povo aqui no estado de Gujarat é suuper vegetariano, nem ovo eles comem direito! E a pior parte pra mim é ter que comer com a mão direita e usar uma colherzinha de plástico pra comer o arroz. Poxa vida, almoçar de colher,, eu não sou mais criança, hunpf!

Depois do almoço dá aquela fome (principalmente pela falta de proteína animal), daí é hora de ir ao supermercado que fica no 1º andar do escritório e comprar o chocolate!!!

Na hora da janta eu geralmente faço um miojo básico e incremento com uns vegetais e ovos e como umas uvas de sobremesa

Durante a semana é esse sofrimento, mas no fim de semana a gente chuta o balde: subway, mc donalds, sorvete...

Bom, chega de falar de comida, agora é hora de contar os acontecimentos do fim de semana!!!

Sábado fomos a uma vila a 1h de carro daqui de Baroda para trabalhar num projeto de uma das meninas da aiesec para divulgar os 8 Objetivos do Milênio lançados pela ONU para mudar o mundo. Cada um dos trainees tinha um objetivo e tinha que fazer uma performance teatral dele. O meu era o 2º objetivo “Educação básica de qualidade para todos”, daí encenamos o cotidiano das pessoas da vila: uma mulher varrendo o chão (aliás, eu não sei porque eles varrem, a poeira que chega do deserto não vai embora de jeito nenhum hahah), um indo buscar água, a outra lavando roupa.. aí eu ia até cada um, falava pra eles pararem de fazer o que estavam fazendo e dava um livro pra cada um e os levava para a escola ;)

Quando chegamos na escolinha da vila, fomos recepcionados pelas crianças, foi uma festa só! Para a gente pode não fazer muita diferença, mas a nossa visita na vila com certeza marcou a infância dessas crianças. Elas nos acompanharam o tempo todo enquanto divulgávamos as apresentações e depois fizemos um teatro itinerante pela vila. Foi super cansativo chegar lá, especialmente pelo calor de 41°C e 0% de umidade relativa do ar, mas foi gratificante ver a alegria do pessoal em receber visitas. Até jantar nós comemos nas casas dos moradores!

Bom, domingo de manha (ah, as manhas aqui começam bem mais tarde, tipo pra gente quando é 9h e você vai fazer suas coias, tipo vai no mercado e talz, aqui é as 11h) os outros trainees foram pra um resort usufruir das piscinas e eu preferi fazer outra coisa... fala sério né, que eu ia ficar torrando embaixo de um sol de 41°C vestida com bermuda e camiseta ao invés de biquíni hahahaha.

Acabei indo no museu municipal com um amigo meu. O interessante é que aqui na Índia existem preços diferenciados pra indianos e para estrangeiros. Me falaram que o Taj Mahal é 1000 rúpias pra estrangeiro e 30 pra indiano, ou algo do tipo. Pois bem, esse museu é 200 rúpias pra estrangeiro e 10 pra indianos. Como eu tenho cara de indiana, meu amigo falou pra eu ficar quieta e não falar nada em inglês que ele ia comprar o ingresso de indiana pra mim, e não é que deu certo?!! Hahahah to rindo até agora das 190 rupias que eu economizei, dá pra ir no Mc Donalds!!!

O passeio no museu foi bem rápido – quem me conhece sabe que eu consigo ficar horas num museu sem perceber que passou tanto tempo. Tem um pouco de tudo nesse museu: desde múmias, a arte chinesa, taxidermia (inclusive um tigre que um rei matou por aqui), presas de um mamute, quadros europeus da época do renascimento... só faltou um cantinho pra arte americana lá

Moral da estória: Luiza, fica quieta e não fala nada que você passa por indiana!

segunda-feira, 19 de março de 2012

A semana de 10 a 18 de março

Eu queria de verdade tentar escrever no blog pelo menos 1 vez por semana, com o resumão dos acontecimentos, mas essa semana foi complicada – e acho que acumulei todo o cansaço e hoje estou morrendo aqui no serviço. Então se você notou alguma diferença no meu modo de escrever hoje, parabéns! Você me conhece bem!

Ok, ultimo relato foi a cachoeira sem água, nice! Vejamos o que aconteceu depois disso..

Na 2ª feira finalmente mudamos de casa! A casa antiga estava ficando pequena para acomodar todos os trainees (e sem água 24h por dia ¬¬). É meio chato arrumar as malas de novo, principalmente porque agora tinham as coisas que foram compradas aqui, como papel higiênico, comida.. Enfim, empacotados tudo e lá vai a procissão de rickshaws pelas ruas de Baroda porque pelo tamanho das malas, cada um precisou de um triciclo sozinho. O apartamento novo é lindo, novíssimo, com 2 banheiros completos: chuveiro e vaso sanitário (olá, te amo!). Pena que esse apto não tem cozinha montada, então o menu da semana foi sanduíche de queijo com tomate, cebola, pepino, repolho e batatinha frita sabor cebola e creme – e é o que tem pra hoje!

O legal desse apartamento novo é que é suuuper bem localizado e a gente até já aprendeu a caminhar pra chegar no serviço ou pro mercado. Nesse apto estavam os trainees que vieram para trabalho volutário: 1 taiwanesa, 2 japoneses, 1 alemã, 1 italiana, 1 russo e os 2 brasileiros. Finalmente achei um lugar pra lavar minhas roupas: aqui não é um tanque como nas áreas de serviço brasileiras, é um quadrado no chão que a mulherada tem que se agachar pra lavar as roupas. Eu como boa caiçara limpei o lugar e sentei na água igual a uma pata pra lavar as roupas! Foi um momento muito feliz porque o sol tava quente nas costas e eu brincando na água :D

Mas o mais legal foi finalmente conhecer a Brena e o Gabriel: 2 brasileiros que chegaram aqui umas semanas antes de mim e me receberam suuuuuper bem! O Gabi até arrumou a minha cama – por cama entenda um colchonete no chão, mas foi colocado com carinho hhahahaha. Pena que eles tiveram alguns problemas e foram embora da cidade antes do planejado :( Chegamos a ter uma conversa massa comparando a índia com o Brasil sob o ponto de vista de Brasília (Gabi) ,Salvador (Brena) e Santos e chegamos a seguinte conclusão a pergunta: “Por que Índia?” “Porque no Brasil o voto é obrigatório” ahahahaha

Não vejo a hora do Ravi chegar aqui também (outro brasileiro que vai trabalhar comigo na mesma empresa) pra poder adicionar um tempero mineiro a essa salada. Essa é uma parte interessantíssima de intercambio: além de conhecer a índia, acabo conhecendo mais da cultura dos outros estrangeiros e até dos próprios brasileiros que estão aqui também. Oks, parágrafo sem nexo, mas achei importante ressaltar isso.

Continuando a semana, ao meio de despedidas (os brasileiros, a taiwanesa, o russo e os japas), fomos nos acostumando com o apê – até fizemos o faxinão no sábado de manha. O apê antes tava ocupado por asiáticos e digamos que chineses tem padrão de limpeza diferente dos latinos.

Sábado a noite fomos a uma festa na casa do presidente do comitê da aiesec aqui. Ele mora com a família e a festa foi no terraço da casa e adivinha: não podíamos fazer barulho meia noite porque a vó dele tava dormindo! Aff, nem preciso falar né! Sou da seguinte opinão: se é pra fazer uma festa, que seja uma festa caramba! Vira homi hahahaha. Como a festa miou por causa de não poder fazer barulho, migramos para um outro lugar e aí sim foi divertido – graças a mexicana que trouxe uma garrafa de tequila!

Aí domingo, aquele calor do cão (de verdade, tava uns 40ºC e ainda vai ficar pior) fui a pé no supermercado comprar água, mas antes parei pra tomar um drink de gelo e suco de lichia – é bem raro ver alguma coisa beeeeem gelada por aqui, então eu aproveito as oportunidades uahsuhasuhas. Aproveitei e comprei uma mochila pro notebook por 300 rúpias \o/. Voltei do mercado e fui no Mc Donalds comer um Mc Chicken duplo, com queijo (que aqui é extra) por 175 rúpias, ou algo em torno de R$5,75.

Depois do bandeco diurno foi hora da soneca e preparar para mudar de casa de novo! Foi nos passado que a casa era maior, com móveis e seria melhor pra gente ficar lá.. e lá vai a procissão de rickshaw de novo. Chegando lá a casa não era assim uma Brastemp, nem pra Consul, nem Continental... Digamos que a casa era ótima pros padrões indianos, mas pra gente era abaixo da linha da miséria, principalmente pelo fato de não ter chuveiro e um dos banheiros ter uma latrina ao inves de vaso sanitário – really!

Após a confusão toda porque não queríamos ficar naquela casa de jeito nenhum, voltamos ao apartamento, que não sei por que, ficou tão lindo e confortável! Eu não me estressei tanto com a situação: realmente foi um problema de comunicação e definição de conceitos do que é melhor ou pior entre a cultura indiana e a cultura internacional: de que vale uma casa maior se não tem um trono no banheiro para eu reinar? Hahahahaha

Moral da estória: não dá pra confiar nos conceitos de melhor/pior na Índia!

domingo, 11 de março de 2012

O Primeiro passeio e viagem

Depois do feriado da 5ªf (Holi), tive que trabalhar na 6ª (e mais um episódio da novela do Registro de Estrangeiro – sobre esse só vou escrever quando estiver concluído). No sábado fizemos nosso 1º passeio turístico pela cidade. Entenda: trabalhar de 2ª a 6ªf das 10h as 19h não deixa muito espaço na agenda para fazer outras coisas, especialmente quando tudo aqui só abre depois das 10h e alguns lugares não abrem no domingo.

Começamos o passeio indo ao Lukshmi Vilas Palace – provavelmente uma das maiores residência privadas da Índia. É um complexo construído em 1890 para a família dos marajás Gaekwad e hoje ainda é a residência dos herdeiros dessa família real, portanto só algumas alas são abertas a visitação e lá dentro não pode tirar fotos por questões de segurança. O palácio é composto por 4 partes: um templo hindu, um templo de uma outra religião daqui da índia que eu ainda não consegui entender o nome, uma igreja cristã e uma mesquita islâmica – assim como toda Índia que é composta por essas 4 partes. O interior do palácio é legal, mármore pra tudo quanto é lado, ouro, espadas, animais empalhados.. o de sempre né. O bonito mesmo é a arquitetura do lado de fora.

Saindo do palácio, um dos meninos da aiesec nos ligou pra saber se queríamos ir a uma cachoeira a 30km da cidade de Baroda onde estou – claro né, pra gente tudo é festa. O pessoal alugou um carro e lá foram eu e mais alguns outros trainees atrás dessa cachoeira. Foi bem diferente sair do ambiente urbano e ir para o campo daqui.

A pobreza é muito mais evidente, mas em compensação o clima é mais agradável por que tem menos poluição. Outro fator interessante que eu achei foi a qualidade das estradas com muito menos buracos que no Brasil, mas talvez seja porque ainda não estamos na época das chuvas.

Passamos por fazendas, vilas pequenas, campos de milho, animais soltos na estrada como galinhas, vacas, cabras, búfalos... As construções são tão precárias que eu não sei como que eles fazem na época das chuvas com os telhados de palha.

Enfim, chegamos no local da cachoeira umas 2h depois de sair de Baroda. 2h para 30km? Não, o lugar era muito mais longe do que 30km, o que nos leva a moral da estória de hoje. Lá ainda tivemos que subir numas pedras – pra alegria do meu dia: EU ODEIO ANDAR EM PEDRAS!!!!! Nunca, jamais me convide para fazer uma trilha hahahaha. Enfim, chegando lá em cima, com o coração quase saindo pela boca, adivinha só: não tinha água na cachoeira ¬¬ Do jeito que as coisas tão secas por aqui, não tem água nem na minha casa, quem dirá na cachoeira né rsrsrsrs

Mesmo assim foi bem agradável ficar no gramado lá em cima, curtindo o final da tarde com o pessoal da aiesec compartilhando as danças de cada comitê. A volta foi bem mais tranquila porque não envolveu pedras soltas pelo caminho. Até gravamos um vídeo sobre a viagem hahaha.

O dia foi bem inesperado porque saí de casa sabendo que ia passear num castelo e voltei de uma cachoeira sem água – e está é a a Increditable India!

Moral da estória: as distâncias na Índia são mais longas: 30km se tornaram uns 75km no final das contas!

A Primeira semana

Minha primeira semana aqui foi tranquila, tirando a Novela do Registro de Estrangeiro (que ficará para um próximo post).

Começando por 2ªf, fui oficialmente apresentada na empresa, com direito a almoço especial e flores! É, isso mesmo, todos os empregados da empresa no 1º dia ganham um buquê de rosas – inclusive os homens. Já no 1º dia o chefe me pediu pra fazer uma tradução de um folder com os serviços da empresa em português.

A rotina de trabalho na Índia é bem diferente do Brasil, começando pelos horários: eu trabalho das 10h as 19h, com direito a café da manha as 10h30, almoço as 13h30 e café da tarde as 16h e um chá as 17h. Ao sair do serviço, a gente sempre passa no supermercado que fica no térreo do prédio da empresa – o que é muito prático – e tentar descobrir o que fazer para o jantar dados os ingredientes disponíveis.

Esse supermercado tem uma seção “non-veggie”, isto é, um cômodo separado para vender produtos não vegetarianos como frango e peixe, mas esses produtos são bem mais caros que os “veggies”. Ah, outra curiosidade: o que é non-veggie tem um selo com uma bola vermelha, os veggies tem uma bola verde e isso se aplica em tudo: restaurantes, hotéis.. é quase um selo de fumante e não fumante.

Bom, os dias se passaram normalmente até que chegou 5ªf, dia 08/03 e com isso o feriado “Holi”, ou festival das cores. Vou tentar explicar o que eu entendi desse feriado, mas se você quiser saber mais ao fundo, Just Google it ;) e peço desculpas se eu entendi alguma coisa errado.

“Era uma vez um rei que se achava o máximo e queria que seu filho (o príncipe) não rezasse para o Lorde Krishna e sim para o rei. Como o príncipe era muito devoto de Krishna, ele se recusou a obedecer o pai e como castigo o pai ordenou que o príncipe fosse queimado vivo. O príncipe foi colocado na fogueira, porém Krishna viu sua devoção e o salvou, fazendo com que ele saísse intacto do fogo”.

Daí começam as celebrações: na noite anterior ao Holi, as pessoas fazem fogueiras e celebram ao redor delas para comemorar a vitória do Bem sobre o Mal. Já no dia do Holi, o povo aqui pira!!!!! Holi é o dia de celebrar com cores: as pessoas vão para as ruas e desejam “happy Holi” pintando umas as outras com um pó colorido, quase como aquelas areias que se usa para fazer desenho em garrafas no nordeste, mas com cores muito mais vibrantes. Cada um tem um saquinho com uma cor, daí quando encontra uma pessoa deseja a ela Happy Holi e passa esse pó na cara dela e vice e versa – para os mais animados a cara é pouco, eles jogam no cabelo, roupa... Parece que todo mundo passou na universidade e ta colorido da cabeça aos pés!!! Muito legal ver as pessas na rua em tons de verde (a la Hulk), azul (smurfs), rosa pink...

E óbvio que eu não escapei dessa festa né! Fomos brincar o Holi com o pessoal da empresa na garagem do prédio da companhia. Você já pintou seu chefe de verde? Eu já ;) E o mais engraçado é que esse pó não sai fácil, especialmente de cabelos mais claros, então no dia seguinte o pessoal da empresa ainda tinha restos de cores pelos cabelos, orelhas...

Moral da estória: a índia é o lugar onde você pode dar trote no seu chefe sem ter problemas ;)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Os primeiros dias

OK, onde paramos? Ah, sim, na saída do Aeroporto de Baroda. Já na porta começa a negociação para conseguir um Rickshaw a um preço pré-fixado. Rickshaw, ou “Auto”, é na verdade um triciclo motorizado com uma cabine em cima, deve ser uma lambreta melhorada. E o engraçado é que eles acham que tem um super motor 3.8L, mas na verdade qualquer bis no Brasil ganha uma corrida hahahaha. O rickshaw me levou do aeroporto até a casa provisória por 90 rúpias (2,70 reais) pra andar mais de meia hora.

Saindo do aeroporto o que eu vejo: um rebanho de vacas (ou Búfalos, achei que o chifre tava meio grande pra ser vaca). Deviam ter umas 25 vacas!!! E eu achava que isso era algum tipo de lenda urbana, que eu veria umas 2 vacas na rua durante o intercambio inteiro. Toda hora tem uma vaca vagando por aí! (rsrsrsrs vaca vagando).

Cheguei no apartamento e acordei todo mundo: o dia aqui começa mais tarde, tipo entre as 8h e 9h, o que pra gente seria normal entre 6h30 e 7h30 (pra quem trabalha). Por enquanto tem 2 trainees da mesma empresa que eu trabalho: a Agustina (Argentina) e o Andres (Colômbia). Eles são bem legais e tão me ajudando com bastante coisa aqui. E na casa provisória tem o Brice, um cara de Costa do Marfim que está aqui a uns 10 meses já, praticamente indiano hahaha). Enfim, eles foram trabalhar e o que eu fiz? Dormi o dia inteiro!!! Acordei as 10h, virei pro lado e dormi de novo.. Acordei as 16h30 e dormi de novo até que as 19h30 eu acordei de vez. O pessoal chegou em casa as 20h e adivinha o que aconteceu?!

Fomos a uma festa!!!!! Mas não uma festa normal, uma big festa indiana!! Até agora não descobri que tipo de festa era: uns falavam que era o aniversário de 65 anos de um cara, outros falavam que era aniversario de casamento... De qualquer maneira, foi a festa mais chique que eu já fui na vida: um gramado com várias bancas de comida (todas identificadas pelo nome, o que pra mim não fez diferença alguma), um palco com uma banda, um pessoal fazendo drinks sem álcool, decoração... (fotos em breve). Todas as mulheres mais velhas com aquelas roupas típicas (saree) coloridas e bordadas. E como fui parar nessa festa? O cara da Costa do Marfim conhece os outros trainees que estão a mais tempo e uma das meninas trabalha no Buffet que organizou festa. Chegamos na porta e falamos pro segurança que estávamos ali para ir ao evento e ele deixou a gente entrar: simples assim só porque somos estrangeiros! É isso mesmo, entramos de penetra na festa e já no final a equipe de reportagem televisiva que estava cobrindo o evento pediu para a Agustina dizer algumas palavras para o aniversariante.

Moral da estória: É, a Índia é o lugar onde os penetras são entrevistados!

Ah, mais um detalhe: eu to sem internet em casa, ou seja, sem acesso ao facebook :(


A Viagem

Depois de algumas horas desconectada do mundo, aqui estou eu para contar como finalmente cheguei a Baroda (ou a Vadodara, para os íntimos que conseguem pronunciar “Vadodra”).

Saí de casa em Cubatão com a sensação que estava esquecendo alguma coisa, até agora não descobri o que é. De casa até o aeroporto de Guarulhos agora é super rápido por causa do Rodoanel. Cheguei ao aeroporto, fiz meu check-in, despachei a mala grande (com exatos 23,2 kg), fui comprar alguns dólares, despedi do meu pai, passei pela segurança e cheguei na área mais legal de todas: o Duty Free Shop do aeroporto de Guarulhos!!! Sabe por que ele é o mais legal? Porque é o mais barato!!!! Free shops na Europa são muito caros, não vale muito a pena (vi em Londres uma garrafa de vodka Smirnoff por £12, ou algo em torno de 30 reais – não tenho certeza, mas uma dessas no mercado normal não custa tipo 20 reais? :s No free shop não resisti e comprei um rímel M.A.C!!!

O primeiro vôo foi de Guarulhos a Londres e durou 9h... Pra minha sorte fiquei bem no meio do corredor, com um bebê de uns 3 meses de idade na minha frente. Tirando isso, foi bem agradável voar pela British Airways, mais confortável do que quando fui pra Alemanha pela Iberia... A British tem telas individuais, daí consegui assistir O Gato de Botas. Eu queria ter visto outros filmes, mas o sono me venceu – e ainda bem que venceu o bebê na minha frente rsrsrsrs.

O transfer em Londres foi tranqüilo também, tirando a parte de passar pela segurança: lá vai tirar notebook da mochila, ter todos os líquidos, gel, gloss com menos de 100ml num saco transparente com fecho zip lock, tirar cachecol, casaco... Como não cheguei a entrar no Reino Unido, não precisei entrar na fila para carimbar o passaporte (snif, snif... queria mais um carimbo de Londres), mas o aeroporto de Heathrow é muito grande... tive que pegar um metrô pra ir de um portão de desembarque ao portão de embarque e isso no mesmo Terminal 5.

Já no vôo pra Índia, também operado pela British e com duração de 9h, consegui sentir que realmente iria ser diferente, visto pela quantidade de indianos embarcando, pelo fato de tudo estar escrito em inglês e hindu, pelo uniforme das aeromoças ou pelo bigode do aeromoço. E para a minha sorte, óbvio que tinha um bebê também, mas era uma menina de quase 1 ano (ou mais, aqui eles passam lápis de olho nas crianças para afastar o mau olhado, então as crianças parecem mais velhas). Também tinham os mesmos filmes para assistir, mas o sono não me deixava terminar o filme, daí apelei para as séries de TV, com episódios de meia hora.. acho que assisti uns 5 episódios. Tudo indo bem até chegar na hora do almoço (eu peguei o vôo as 10h15 no horário de Londres). O comissário bigodudo me deu 2 opções: blábláblá veggie or chickpea with curry – óbvio que a múmia aqui entendeu chicken with pea with curry e pediu esse. Tradução: “você quer grão de bico com curry? Sim, eu aceito o frango” ¬¬ Tudo veio suuuuper temperado: um arroz com muuuitos temperos (dos quais só identifiquei grão de mostrada preta), o grão de bico com muuuuuito curry e um mato tipo espinafre ou algo do tipo com muuuuuuito cominho, era cominho com mato, e não mato temperado com cominho. Depois no jantar foi servido um wrap de frango com curry (agora sim era frango) ou de vegetais. O bom foi que este vôo estava vazio, então dava pra deitar um pouco nas fileiras do meio.

Tudo indo bem e cheguei no aeroporto de Mumbai (antiga Bombai, para os que não acompanham as mudanças geográficas da Índia hahahaha – nem eu!). Desci do avião e tinha que passar pela imigração: uma fila de umas 150 pessoas mais ou menos. Até que o policial que carimbou meu visto foi de boa: perguntou até quando eu ia ficar porque acima de 180 dias eu tenho que me apresentar na polícia para fazer um registro de estrangeiro. Passei pela segurança, peguei minha mala e lá fui começar a peregrinação para pegar o vôo doméstico até Baroda. Segui as placas e tive que passar minha bagagem toda (inclusive a mala grande – super fácil colocar essa mala numa esteira inclinada ¬¬) por um raio x pra ganhar um selo de aprovado pela segurança. Fui dar numa sala com um policial que queria saber para onde eu ia: falei que ia pegar o vôo para Baroda, tive que mostrar a passagem e o passaporte: ele ficou uns 5 minutos olhando meu passaporte, vendo meus vistos antigos – o cara mal sabia inglês e queria ler meu visto em alemão. Tudo isso para pegar um ônibus até o portão de embarque do próximo vôo. Esse ônibus demorou uns 30 minutos pra chegar e andou mais uns 20 minutos dentro do aeroporto. Cheguei no lugar do check in, o fiz e também troquei uns dólares e euros por rúpias e me senti milionária hahahaha. Após isso tive que passar pela segurança novamente (e lá vai notebook pra fora, casaco...) e dei uma voltinha por uma livraria do free shop de lá e paguei 400 rúpias na minha cópia do “Heroes of the Olympus: Sono f Neptune” – último livro lançado da saga do Percy Jackson, ou seja, 12 reais hahahahaa. Enfim, passei pelo portão de embarque e adivinha só: tinha um ônibus pra levar os passageiros até o avião!! De novo quase uns 20 minutos voltando para o lugar onde eu desci – não seria beeeem mais fácil passar pela segurança e o check-in por lá mesmo? E pra ser vôo doméstico, a Jet Airways está beeeeem melhor que a RyanAir na Europa: muito mais organizada para embarcar – é, RyainAir não tem lugar marcado, as pessoas correm para sentar juntas.

O ultimo vôo foi tão rápido comparado aos outros que eu quase não percebi nada em meio aos meus cochilos, tirando a vez que olhei pra janela e vi o nascer do sol mais lindo ever! O céu estava laranja, exatamente da cor da bandeira da Índia, muito lindo! Ao chegar lá, o rapaz da aiesec estava lá pra me buscar e aí começa minha aventura pela Incrível Índia..

Post muito extenso,, continua no próximo episódio

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Tensão Pré-Viagem MODE ON


Hiperatividadeeeeeeeee

Ta, eu queria ter escrito sobre os preparativos da viagem antes, mas não deu tempo mesmo.. Eu deveria ter feito isso antes, e não agora que estou hiperativa: me entupi de guaraná e picanha (estoque infinito de picanha na minha barriga uahsuhaushaush)

Agora são quase 23h e eu to fazendo hora pra ir dormir tarde pra ter sono amanha e dormir durante o voo, olha que legal o meu percurso:
- 12h00: Cubatão - Guarulhos
- 14h00: Fazer Check-In Guarulhos
- 17:15: Guarulhos - Londres (9h de voo)
- 07:15: (Horario de Londres): Londres
- 10:15 (horário de Londres): Londres - Mumbai
- 00:45 (horário de Mumbai): Mumbai
- 05:35 (horário de Mumbai): Mumbai - Baroda

Resumo da ópera: vou sair daqui dia 28/02 e só chego lá dia 1/03 (isso porque esse ano tem 29/02) ¬¬

Ainda tenho minha mala pra terminar de arrumar, ta passando um pouco do limite do peso.. acho que vou tirar um sabonete e tomar banho com shampoo uahsuhaushaush


Acho que essa foi a 1ª foto que eu tirei com essa máquina nova e sim, isso é a cama da minha irmã - ótimo ter irmã que mora fora \o/

Daí entro num outro tópico: o que levar pra Índia?
Uma sugestão foi uma kashasha (se vc leu isso como Kashashá, parabéns, eu tb li assim da 1ª vez..) coloquei no google e o que apareceu? a Cachaça brasileira... ¬¬
Também não sei o que levar em relação a roupa, calçado, remédios...
ai ai ai ai

Ta acabando a minha criatividade e o nível de açúcar no sangue.. acho que vou tentar dormir agora.. mentira, vou comer chocolate uahsuhaushuash

Bjos a todos e o próximo post será direto da Índia!!! (ou de algum aeroporto por aí se eu tiver tempo)


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A novela do Visto

É crianças, precisa de visto para entrar na Índia, está achando que é bagunça? hahahaha

Primeiro olhei no site do consulado de SP para saber os documentos necessários, até aí normal: passaporte, carta convite da empresa, recolhimento de taxa (um tanto quando cara pro meu bolso), formulários.. certificado internacional de vacina contra febre amarela... E lá foi eu atrás do escritório da ANVISA em Santos para pegar esse certificado. A sorte é que eu já havia tomado a vacina em 2008 em Tupã/SP.

Cheguei bonitona no consulado, de roupa social, achando que depois da recepção eu seria colocada em uma cabine de vidro com fone para entregar os documentos como aconteceu no Consulado da Alemanha. Não, não foi isso que aconteceu: a mesma mulher que ficava na mesa da recepção recebia os documentos, dava informação, atendia o telefone... Ela estava a ponto de ficar louca com a quantidade de serviço: só no dia anterior foram 73 pedidos de visto, fora as pessoas que vão até lá com informações incompletas e tem que voltar outra hora. Depois de ver várias pessoas saindo e voltando para a fila, finalmente fui atendida e como meus documentos estavam certos, isso não demorou 30 segundos ¬¬. "O seu visto fica pronto em 2 dias".

Eis que no dia seguinte eu estava viajando com a minha família e a mesma mulher do consulado me ligou perguntando para onde eu ia na Índia: respondi o nome da cidade, nome o qual estava escrito na carta convite da empresa. Nisso meu visto atrasou em 1 dia ¬¬

No dia combinado, estou eu no ônibus a caminho de São Paulo quando recebo de novo uma ligação do consulado perguntando o nome da cidade e quanto tempo eu ficaria lá, informações que, de novo, estavam na carta convite da empresa. E por telefone fui informada que o horário de retirada do visto havia mudado e eu estava 2h adiantada ¬¬

Chego no consulado e encontro uma fila com umas 25 pessoas na minha frente e mais umas 15 atrás de mim. Na minha vez de ser atendida adivinha só: não estava pronto porque queriam saber para onde e quanto tempo eu ficaria lá. Lá vai eu explicar de novo para onde vou e quanto tempo vou ficar ¬¬

Alguns minutos depois e magicamente meu passaporte apareceu com o visto \o/

Conclusão dessa situação: os processos indianos tem gargalos e problemas são oportunidades de melhoria :D

Por que Índia?

Essa é fácil: porque Canadá é muito mainstream hahahaha.
Brincadeiras a parte, vou contar como tudo começou...

Era uma vez eu no meu estágio na Whirlpool em Rio Claro/SP, feliz da vida com minhas planilhas, tabelas dinâmicas e gráficos de montanha (ou alpes suíços - só SIQueiros entenderão hahaha), até que um belo dia fui procurada por uma representante da AIESEC Campinas, perguntando se eu tinha interesse em participar do programa de talentos globais fazendo um management traineeship fora do Brasil. Óbvio que o ego foi às alturas nesse momento, mas o que seria essa AIESEC?

"A AIESEC é uma organização internacional que estimula os jovens a explorar e desenvolver seu potencial para criar um impacto positivo na sociedade"... mais informações em http://www.aiesec.org.br/site . Vale a pena dar uma olhada no trabalho dessa ONG... senti que estava prestes a participar de algo grande.

E para onde ir? O mundo inteiro estava disponível!!! Esse processo de escolha foi longo, mas ao menos decidi que queria ir para a Ásia, porque já conheci um pouquinho da Europa e senti que era hora de expandir os horizontes. Também levei em consideração o ramo da administração que pretendo seguir (eu acho :s) e Tecnologia de Informação rima com Índia e consequentemente com BRIC (isso mesmo, Brasil, Rússia, Índia e China). Taí o peso dessa experiência no meu currículo.

Comecei a pesquisar mais sobre a Índia porque meus conhecimentos sobre esta eram limitados (e ainda são, mais um motivo para conhecê-la). Saí daquele pensamento comum de que "Índia é o lugar cheio de gente onde não se pode comer carne bovina" e cheguei a uma conclusão por enquanto: parece ser um lugar como o Brasil: contrastes a todos os lados (rico/pobre, feio/bonito, limpo/sujo, honesto/corrupto...) e mesmo assim o povo tem um sorriso no rosto e uma vontade de viver que não se vê na Europa, por exemplo.

Enfim, não sei o que esperar da Índia, não sei mesmo: será que vou ver o trânsito parado na avenida principal da cidade porque uma vaca resolveu dormir no meio da rua? ou será que o peso de ser um representante do BRIC faz com que os indianos tenham pressa de chegar ao trabalho e não podem mais esperar a Dona Vaca sair de livre e espontânea vontade? Tradições x Capitalismo?

Respostas para essas e outras perguntas nos próximos post dessa jornada pela Incredible India.

Agora é oficial: A caminho das Índias!!!

Namastê!!!

É com este post que começo meu blog sobre minhas experiências na Índia.
É isso mesmo, depois do internacionalmente aclamado Luiza na Alemanha (http://luiza-na-alemanha.blogspot.com) agora é hora de partilhar minhas aventuras na Índia, afinal de contas ir para o Canadá é muito mainstream (vide youtube: "Luiza que está no Canadá) rsrsrsrs.
Luiza na Alemanha foi escrito de maneira leve e engraçada, visto que eu parti do Brasil aos 20 anos de idade e achava que tudo era lindo e a vida era bela.. Agora aos 23 anos, bacharel em Administração pela UNESP Tupã, sei que essa experiência será tão enriquecedora quando a outra e já estou psicologicamente preparada para certas situações que eu não esperava viver aos 20 anos.
Uma mudança notável é o meu esforço para escrever em português e não em "internetês", mas sei que em algum momento um "naum" vai escapar, principalmente nos post que eu estiver bêbada hahaha.

Bom, espero que vocês prezados leitores se divirtam tanto quando eu ao se depararem com as minhas experiências expostas aqui!