segunda-feira, 26 de março de 2012

A semana de 19 a 25 de março

É, to ficando meio sem criatividade para nomear os post, sorry :p

Também estou ficando sem tempo para escrever. Aqui ou as coisas são muito lentas ou muito rápidas: uma hora você morre de tédio, na outra não tem tempo nem de respirar.

Bom, vejamos os acontecimentos da semana: na verdade eu não lembro. Acredito que durante a semana não aconteceu nada de especial, só de casa para a empresa, da empresa para a casa e no meio do caminho uma passada básica no supermercado, afinal de contas, preciso comprar o miojo nosso de cada dia rsrsrs.

Bom, falando de mercado, acho que vou comentar um pouco sobre a alimentação daqui. Eu almoço na empresa, então é comida indiana de segunda a sexta: uma marmita com 5 compartimentos diferentes:

1) dahl: esse negócio é um caldo apimentado para colocar no arroz para temperá-lo – eu não consigo nem olhar pra cara desse dahl, é mais xexelento que kebab!

2) arroz: normal, sem cebola ou alho, mas pelo menos tem um salzinho ¬¬

3) qualquer legume cozido ao estilo indiano, ou seja, com muuuuuuito tempero, geralmente vem batata, ervilha, grão de bico, lentinha, repolho..

4) ruti: é tipo um pão sírio bem maleável que a galera aqui usa como “colher” pra comer os legumes. Isso mesmo: corta um pedaço dessa “paqueca” usando apenas a mão direita e utiliza esse pedacinho para pegar os legumes e colocar tudo na boca

5) um salgadinho tipo aqueles de isopor daí, só que sabor óleo de fritura ao invés de queijo (digo chulé rsrsrs) e com cores esquisitas como laranja e rosa. É a parte mais alegre do dia, a hora de comer os salgadinhos gordurosos hahahaha.

E esse é meu almoço! É, você está sentindo falta de alguma coisa, tipo uma salada crua e proteína de origem animal? EU TAMBÉM!!! AAAAAAAAAAhhhh! O povo aqui no estado de Gujarat é suuper vegetariano, nem ovo eles comem direito! E a pior parte pra mim é ter que comer com a mão direita e usar uma colherzinha de plástico pra comer o arroz. Poxa vida, almoçar de colher,, eu não sou mais criança, hunpf!

Depois do almoço dá aquela fome (principalmente pela falta de proteína animal), daí é hora de ir ao supermercado que fica no 1º andar do escritório e comprar o chocolate!!!

Na hora da janta eu geralmente faço um miojo básico e incremento com uns vegetais e ovos e como umas uvas de sobremesa

Durante a semana é esse sofrimento, mas no fim de semana a gente chuta o balde: subway, mc donalds, sorvete...

Bom, chega de falar de comida, agora é hora de contar os acontecimentos do fim de semana!!!

Sábado fomos a uma vila a 1h de carro daqui de Baroda para trabalhar num projeto de uma das meninas da aiesec para divulgar os 8 Objetivos do Milênio lançados pela ONU para mudar o mundo. Cada um dos trainees tinha um objetivo e tinha que fazer uma performance teatral dele. O meu era o 2º objetivo “Educação básica de qualidade para todos”, daí encenamos o cotidiano das pessoas da vila: uma mulher varrendo o chão (aliás, eu não sei porque eles varrem, a poeira que chega do deserto não vai embora de jeito nenhum hahah), um indo buscar água, a outra lavando roupa.. aí eu ia até cada um, falava pra eles pararem de fazer o que estavam fazendo e dava um livro pra cada um e os levava para a escola ;)

Quando chegamos na escolinha da vila, fomos recepcionados pelas crianças, foi uma festa só! Para a gente pode não fazer muita diferença, mas a nossa visita na vila com certeza marcou a infância dessas crianças. Elas nos acompanharam o tempo todo enquanto divulgávamos as apresentações e depois fizemos um teatro itinerante pela vila. Foi super cansativo chegar lá, especialmente pelo calor de 41°C e 0% de umidade relativa do ar, mas foi gratificante ver a alegria do pessoal em receber visitas. Até jantar nós comemos nas casas dos moradores!

Bom, domingo de manha (ah, as manhas aqui começam bem mais tarde, tipo pra gente quando é 9h e você vai fazer suas coias, tipo vai no mercado e talz, aqui é as 11h) os outros trainees foram pra um resort usufruir das piscinas e eu preferi fazer outra coisa... fala sério né, que eu ia ficar torrando embaixo de um sol de 41°C vestida com bermuda e camiseta ao invés de biquíni hahahaha.

Acabei indo no museu municipal com um amigo meu. O interessante é que aqui na Índia existem preços diferenciados pra indianos e para estrangeiros. Me falaram que o Taj Mahal é 1000 rúpias pra estrangeiro e 30 pra indiano, ou algo do tipo. Pois bem, esse museu é 200 rúpias pra estrangeiro e 10 pra indianos. Como eu tenho cara de indiana, meu amigo falou pra eu ficar quieta e não falar nada em inglês que ele ia comprar o ingresso de indiana pra mim, e não é que deu certo?!! Hahahah to rindo até agora das 190 rupias que eu economizei, dá pra ir no Mc Donalds!!!

O passeio no museu foi bem rápido – quem me conhece sabe que eu consigo ficar horas num museu sem perceber que passou tanto tempo. Tem um pouco de tudo nesse museu: desde múmias, a arte chinesa, taxidermia (inclusive um tigre que um rei matou por aqui), presas de um mamute, quadros europeus da época do renascimento... só faltou um cantinho pra arte americana lá

Moral da estória: Luiza, fica quieta e não fala nada que você passa por indiana!

segunda-feira, 19 de março de 2012

A semana de 10 a 18 de março

Eu queria de verdade tentar escrever no blog pelo menos 1 vez por semana, com o resumão dos acontecimentos, mas essa semana foi complicada – e acho que acumulei todo o cansaço e hoje estou morrendo aqui no serviço. Então se você notou alguma diferença no meu modo de escrever hoje, parabéns! Você me conhece bem!

Ok, ultimo relato foi a cachoeira sem água, nice! Vejamos o que aconteceu depois disso..

Na 2ª feira finalmente mudamos de casa! A casa antiga estava ficando pequena para acomodar todos os trainees (e sem água 24h por dia ¬¬). É meio chato arrumar as malas de novo, principalmente porque agora tinham as coisas que foram compradas aqui, como papel higiênico, comida.. Enfim, empacotados tudo e lá vai a procissão de rickshaws pelas ruas de Baroda porque pelo tamanho das malas, cada um precisou de um triciclo sozinho. O apartamento novo é lindo, novíssimo, com 2 banheiros completos: chuveiro e vaso sanitário (olá, te amo!). Pena que esse apto não tem cozinha montada, então o menu da semana foi sanduíche de queijo com tomate, cebola, pepino, repolho e batatinha frita sabor cebola e creme – e é o que tem pra hoje!

O legal desse apartamento novo é que é suuuper bem localizado e a gente até já aprendeu a caminhar pra chegar no serviço ou pro mercado. Nesse apto estavam os trainees que vieram para trabalho volutário: 1 taiwanesa, 2 japoneses, 1 alemã, 1 italiana, 1 russo e os 2 brasileiros. Finalmente achei um lugar pra lavar minhas roupas: aqui não é um tanque como nas áreas de serviço brasileiras, é um quadrado no chão que a mulherada tem que se agachar pra lavar as roupas. Eu como boa caiçara limpei o lugar e sentei na água igual a uma pata pra lavar as roupas! Foi um momento muito feliz porque o sol tava quente nas costas e eu brincando na água :D

Mas o mais legal foi finalmente conhecer a Brena e o Gabriel: 2 brasileiros que chegaram aqui umas semanas antes de mim e me receberam suuuuuper bem! O Gabi até arrumou a minha cama – por cama entenda um colchonete no chão, mas foi colocado com carinho hhahahaha. Pena que eles tiveram alguns problemas e foram embora da cidade antes do planejado :( Chegamos a ter uma conversa massa comparando a índia com o Brasil sob o ponto de vista de Brasília (Gabi) ,Salvador (Brena) e Santos e chegamos a seguinte conclusão a pergunta: “Por que Índia?” “Porque no Brasil o voto é obrigatório” ahahahaha

Não vejo a hora do Ravi chegar aqui também (outro brasileiro que vai trabalhar comigo na mesma empresa) pra poder adicionar um tempero mineiro a essa salada. Essa é uma parte interessantíssima de intercambio: além de conhecer a índia, acabo conhecendo mais da cultura dos outros estrangeiros e até dos próprios brasileiros que estão aqui também. Oks, parágrafo sem nexo, mas achei importante ressaltar isso.

Continuando a semana, ao meio de despedidas (os brasileiros, a taiwanesa, o russo e os japas), fomos nos acostumando com o apê – até fizemos o faxinão no sábado de manha. O apê antes tava ocupado por asiáticos e digamos que chineses tem padrão de limpeza diferente dos latinos.

Sábado a noite fomos a uma festa na casa do presidente do comitê da aiesec aqui. Ele mora com a família e a festa foi no terraço da casa e adivinha: não podíamos fazer barulho meia noite porque a vó dele tava dormindo! Aff, nem preciso falar né! Sou da seguinte opinão: se é pra fazer uma festa, que seja uma festa caramba! Vira homi hahahaha. Como a festa miou por causa de não poder fazer barulho, migramos para um outro lugar e aí sim foi divertido – graças a mexicana que trouxe uma garrafa de tequila!

Aí domingo, aquele calor do cão (de verdade, tava uns 40ºC e ainda vai ficar pior) fui a pé no supermercado comprar água, mas antes parei pra tomar um drink de gelo e suco de lichia – é bem raro ver alguma coisa beeeeem gelada por aqui, então eu aproveito as oportunidades uahsuhasuhas. Aproveitei e comprei uma mochila pro notebook por 300 rúpias \o/. Voltei do mercado e fui no Mc Donalds comer um Mc Chicken duplo, com queijo (que aqui é extra) por 175 rúpias, ou algo em torno de R$5,75.

Depois do bandeco diurno foi hora da soneca e preparar para mudar de casa de novo! Foi nos passado que a casa era maior, com móveis e seria melhor pra gente ficar lá.. e lá vai a procissão de rickshaw de novo. Chegando lá a casa não era assim uma Brastemp, nem pra Consul, nem Continental... Digamos que a casa era ótima pros padrões indianos, mas pra gente era abaixo da linha da miséria, principalmente pelo fato de não ter chuveiro e um dos banheiros ter uma latrina ao inves de vaso sanitário – really!

Após a confusão toda porque não queríamos ficar naquela casa de jeito nenhum, voltamos ao apartamento, que não sei por que, ficou tão lindo e confortável! Eu não me estressei tanto com a situação: realmente foi um problema de comunicação e definição de conceitos do que é melhor ou pior entre a cultura indiana e a cultura internacional: de que vale uma casa maior se não tem um trono no banheiro para eu reinar? Hahahahaha

Moral da estória: não dá pra confiar nos conceitos de melhor/pior na Índia!

domingo, 11 de março de 2012

O Primeiro passeio e viagem

Depois do feriado da 5ªf (Holi), tive que trabalhar na 6ª (e mais um episódio da novela do Registro de Estrangeiro – sobre esse só vou escrever quando estiver concluído). No sábado fizemos nosso 1º passeio turístico pela cidade. Entenda: trabalhar de 2ª a 6ªf das 10h as 19h não deixa muito espaço na agenda para fazer outras coisas, especialmente quando tudo aqui só abre depois das 10h e alguns lugares não abrem no domingo.

Começamos o passeio indo ao Lukshmi Vilas Palace – provavelmente uma das maiores residência privadas da Índia. É um complexo construído em 1890 para a família dos marajás Gaekwad e hoje ainda é a residência dos herdeiros dessa família real, portanto só algumas alas são abertas a visitação e lá dentro não pode tirar fotos por questões de segurança. O palácio é composto por 4 partes: um templo hindu, um templo de uma outra religião daqui da índia que eu ainda não consegui entender o nome, uma igreja cristã e uma mesquita islâmica – assim como toda Índia que é composta por essas 4 partes. O interior do palácio é legal, mármore pra tudo quanto é lado, ouro, espadas, animais empalhados.. o de sempre né. O bonito mesmo é a arquitetura do lado de fora.

Saindo do palácio, um dos meninos da aiesec nos ligou pra saber se queríamos ir a uma cachoeira a 30km da cidade de Baroda onde estou – claro né, pra gente tudo é festa. O pessoal alugou um carro e lá foram eu e mais alguns outros trainees atrás dessa cachoeira. Foi bem diferente sair do ambiente urbano e ir para o campo daqui.

A pobreza é muito mais evidente, mas em compensação o clima é mais agradável por que tem menos poluição. Outro fator interessante que eu achei foi a qualidade das estradas com muito menos buracos que no Brasil, mas talvez seja porque ainda não estamos na época das chuvas.

Passamos por fazendas, vilas pequenas, campos de milho, animais soltos na estrada como galinhas, vacas, cabras, búfalos... As construções são tão precárias que eu não sei como que eles fazem na época das chuvas com os telhados de palha.

Enfim, chegamos no local da cachoeira umas 2h depois de sair de Baroda. 2h para 30km? Não, o lugar era muito mais longe do que 30km, o que nos leva a moral da estória de hoje. Lá ainda tivemos que subir numas pedras – pra alegria do meu dia: EU ODEIO ANDAR EM PEDRAS!!!!! Nunca, jamais me convide para fazer uma trilha hahahaha. Enfim, chegando lá em cima, com o coração quase saindo pela boca, adivinha só: não tinha água na cachoeira ¬¬ Do jeito que as coisas tão secas por aqui, não tem água nem na minha casa, quem dirá na cachoeira né rsrsrsrs

Mesmo assim foi bem agradável ficar no gramado lá em cima, curtindo o final da tarde com o pessoal da aiesec compartilhando as danças de cada comitê. A volta foi bem mais tranquila porque não envolveu pedras soltas pelo caminho. Até gravamos um vídeo sobre a viagem hahaha.

O dia foi bem inesperado porque saí de casa sabendo que ia passear num castelo e voltei de uma cachoeira sem água – e está é a a Increditable India!

Moral da estória: as distâncias na Índia são mais longas: 30km se tornaram uns 75km no final das contas!

A Primeira semana

Minha primeira semana aqui foi tranquila, tirando a Novela do Registro de Estrangeiro (que ficará para um próximo post).

Começando por 2ªf, fui oficialmente apresentada na empresa, com direito a almoço especial e flores! É, isso mesmo, todos os empregados da empresa no 1º dia ganham um buquê de rosas – inclusive os homens. Já no 1º dia o chefe me pediu pra fazer uma tradução de um folder com os serviços da empresa em português.

A rotina de trabalho na Índia é bem diferente do Brasil, começando pelos horários: eu trabalho das 10h as 19h, com direito a café da manha as 10h30, almoço as 13h30 e café da tarde as 16h e um chá as 17h. Ao sair do serviço, a gente sempre passa no supermercado que fica no térreo do prédio da empresa – o que é muito prático – e tentar descobrir o que fazer para o jantar dados os ingredientes disponíveis.

Esse supermercado tem uma seção “non-veggie”, isto é, um cômodo separado para vender produtos não vegetarianos como frango e peixe, mas esses produtos são bem mais caros que os “veggies”. Ah, outra curiosidade: o que é non-veggie tem um selo com uma bola vermelha, os veggies tem uma bola verde e isso se aplica em tudo: restaurantes, hotéis.. é quase um selo de fumante e não fumante.

Bom, os dias se passaram normalmente até que chegou 5ªf, dia 08/03 e com isso o feriado “Holi”, ou festival das cores. Vou tentar explicar o que eu entendi desse feriado, mas se você quiser saber mais ao fundo, Just Google it ;) e peço desculpas se eu entendi alguma coisa errado.

“Era uma vez um rei que se achava o máximo e queria que seu filho (o príncipe) não rezasse para o Lorde Krishna e sim para o rei. Como o príncipe era muito devoto de Krishna, ele se recusou a obedecer o pai e como castigo o pai ordenou que o príncipe fosse queimado vivo. O príncipe foi colocado na fogueira, porém Krishna viu sua devoção e o salvou, fazendo com que ele saísse intacto do fogo”.

Daí começam as celebrações: na noite anterior ao Holi, as pessoas fazem fogueiras e celebram ao redor delas para comemorar a vitória do Bem sobre o Mal. Já no dia do Holi, o povo aqui pira!!!!! Holi é o dia de celebrar com cores: as pessoas vão para as ruas e desejam “happy Holi” pintando umas as outras com um pó colorido, quase como aquelas areias que se usa para fazer desenho em garrafas no nordeste, mas com cores muito mais vibrantes. Cada um tem um saquinho com uma cor, daí quando encontra uma pessoa deseja a ela Happy Holi e passa esse pó na cara dela e vice e versa – para os mais animados a cara é pouco, eles jogam no cabelo, roupa... Parece que todo mundo passou na universidade e ta colorido da cabeça aos pés!!! Muito legal ver as pessas na rua em tons de verde (a la Hulk), azul (smurfs), rosa pink...

E óbvio que eu não escapei dessa festa né! Fomos brincar o Holi com o pessoal da empresa na garagem do prédio da companhia. Você já pintou seu chefe de verde? Eu já ;) E o mais engraçado é que esse pó não sai fácil, especialmente de cabelos mais claros, então no dia seguinte o pessoal da empresa ainda tinha restos de cores pelos cabelos, orelhas...

Moral da estória: a índia é o lugar onde você pode dar trote no seu chefe sem ter problemas ;)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Os primeiros dias

OK, onde paramos? Ah, sim, na saída do Aeroporto de Baroda. Já na porta começa a negociação para conseguir um Rickshaw a um preço pré-fixado. Rickshaw, ou “Auto”, é na verdade um triciclo motorizado com uma cabine em cima, deve ser uma lambreta melhorada. E o engraçado é que eles acham que tem um super motor 3.8L, mas na verdade qualquer bis no Brasil ganha uma corrida hahahaha. O rickshaw me levou do aeroporto até a casa provisória por 90 rúpias (2,70 reais) pra andar mais de meia hora.

Saindo do aeroporto o que eu vejo: um rebanho de vacas (ou Búfalos, achei que o chifre tava meio grande pra ser vaca). Deviam ter umas 25 vacas!!! E eu achava que isso era algum tipo de lenda urbana, que eu veria umas 2 vacas na rua durante o intercambio inteiro. Toda hora tem uma vaca vagando por aí! (rsrsrsrs vaca vagando).

Cheguei no apartamento e acordei todo mundo: o dia aqui começa mais tarde, tipo entre as 8h e 9h, o que pra gente seria normal entre 6h30 e 7h30 (pra quem trabalha). Por enquanto tem 2 trainees da mesma empresa que eu trabalho: a Agustina (Argentina) e o Andres (Colômbia). Eles são bem legais e tão me ajudando com bastante coisa aqui. E na casa provisória tem o Brice, um cara de Costa do Marfim que está aqui a uns 10 meses já, praticamente indiano hahaha). Enfim, eles foram trabalhar e o que eu fiz? Dormi o dia inteiro!!! Acordei as 10h, virei pro lado e dormi de novo.. Acordei as 16h30 e dormi de novo até que as 19h30 eu acordei de vez. O pessoal chegou em casa as 20h e adivinha o que aconteceu?!

Fomos a uma festa!!!!! Mas não uma festa normal, uma big festa indiana!! Até agora não descobri que tipo de festa era: uns falavam que era o aniversário de 65 anos de um cara, outros falavam que era aniversario de casamento... De qualquer maneira, foi a festa mais chique que eu já fui na vida: um gramado com várias bancas de comida (todas identificadas pelo nome, o que pra mim não fez diferença alguma), um palco com uma banda, um pessoal fazendo drinks sem álcool, decoração... (fotos em breve). Todas as mulheres mais velhas com aquelas roupas típicas (saree) coloridas e bordadas. E como fui parar nessa festa? O cara da Costa do Marfim conhece os outros trainees que estão a mais tempo e uma das meninas trabalha no Buffet que organizou festa. Chegamos na porta e falamos pro segurança que estávamos ali para ir ao evento e ele deixou a gente entrar: simples assim só porque somos estrangeiros! É isso mesmo, entramos de penetra na festa e já no final a equipe de reportagem televisiva que estava cobrindo o evento pediu para a Agustina dizer algumas palavras para o aniversariante.

Moral da estória: É, a Índia é o lugar onde os penetras são entrevistados!

Ah, mais um detalhe: eu to sem internet em casa, ou seja, sem acesso ao facebook :(


A Viagem

Depois de algumas horas desconectada do mundo, aqui estou eu para contar como finalmente cheguei a Baroda (ou a Vadodara, para os íntimos que conseguem pronunciar “Vadodra”).

Saí de casa em Cubatão com a sensação que estava esquecendo alguma coisa, até agora não descobri o que é. De casa até o aeroporto de Guarulhos agora é super rápido por causa do Rodoanel. Cheguei ao aeroporto, fiz meu check-in, despachei a mala grande (com exatos 23,2 kg), fui comprar alguns dólares, despedi do meu pai, passei pela segurança e cheguei na área mais legal de todas: o Duty Free Shop do aeroporto de Guarulhos!!! Sabe por que ele é o mais legal? Porque é o mais barato!!!! Free shops na Europa são muito caros, não vale muito a pena (vi em Londres uma garrafa de vodka Smirnoff por £12, ou algo em torno de 30 reais – não tenho certeza, mas uma dessas no mercado normal não custa tipo 20 reais? :s No free shop não resisti e comprei um rímel M.A.C!!!

O primeiro vôo foi de Guarulhos a Londres e durou 9h... Pra minha sorte fiquei bem no meio do corredor, com um bebê de uns 3 meses de idade na minha frente. Tirando isso, foi bem agradável voar pela British Airways, mais confortável do que quando fui pra Alemanha pela Iberia... A British tem telas individuais, daí consegui assistir O Gato de Botas. Eu queria ter visto outros filmes, mas o sono me venceu – e ainda bem que venceu o bebê na minha frente rsrsrsrs.

O transfer em Londres foi tranqüilo também, tirando a parte de passar pela segurança: lá vai tirar notebook da mochila, ter todos os líquidos, gel, gloss com menos de 100ml num saco transparente com fecho zip lock, tirar cachecol, casaco... Como não cheguei a entrar no Reino Unido, não precisei entrar na fila para carimbar o passaporte (snif, snif... queria mais um carimbo de Londres), mas o aeroporto de Heathrow é muito grande... tive que pegar um metrô pra ir de um portão de desembarque ao portão de embarque e isso no mesmo Terminal 5.

Já no vôo pra Índia, também operado pela British e com duração de 9h, consegui sentir que realmente iria ser diferente, visto pela quantidade de indianos embarcando, pelo fato de tudo estar escrito em inglês e hindu, pelo uniforme das aeromoças ou pelo bigode do aeromoço. E para a minha sorte, óbvio que tinha um bebê também, mas era uma menina de quase 1 ano (ou mais, aqui eles passam lápis de olho nas crianças para afastar o mau olhado, então as crianças parecem mais velhas). Também tinham os mesmos filmes para assistir, mas o sono não me deixava terminar o filme, daí apelei para as séries de TV, com episódios de meia hora.. acho que assisti uns 5 episódios. Tudo indo bem até chegar na hora do almoço (eu peguei o vôo as 10h15 no horário de Londres). O comissário bigodudo me deu 2 opções: blábláblá veggie or chickpea with curry – óbvio que a múmia aqui entendeu chicken with pea with curry e pediu esse. Tradução: “você quer grão de bico com curry? Sim, eu aceito o frango” ¬¬ Tudo veio suuuuper temperado: um arroz com muuuitos temperos (dos quais só identifiquei grão de mostrada preta), o grão de bico com muuuuuito curry e um mato tipo espinafre ou algo do tipo com muuuuuuito cominho, era cominho com mato, e não mato temperado com cominho. Depois no jantar foi servido um wrap de frango com curry (agora sim era frango) ou de vegetais. O bom foi que este vôo estava vazio, então dava pra deitar um pouco nas fileiras do meio.

Tudo indo bem e cheguei no aeroporto de Mumbai (antiga Bombai, para os que não acompanham as mudanças geográficas da Índia hahahaha – nem eu!). Desci do avião e tinha que passar pela imigração: uma fila de umas 150 pessoas mais ou menos. Até que o policial que carimbou meu visto foi de boa: perguntou até quando eu ia ficar porque acima de 180 dias eu tenho que me apresentar na polícia para fazer um registro de estrangeiro. Passei pela segurança, peguei minha mala e lá fui começar a peregrinação para pegar o vôo doméstico até Baroda. Segui as placas e tive que passar minha bagagem toda (inclusive a mala grande – super fácil colocar essa mala numa esteira inclinada ¬¬) por um raio x pra ganhar um selo de aprovado pela segurança. Fui dar numa sala com um policial que queria saber para onde eu ia: falei que ia pegar o vôo para Baroda, tive que mostrar a passagem e o passaporte: ele ficou uns 5 minutos olhando meu passaporte, vendo meus vistos antigos – o cara mal sabia inglês e queria ler meu visto em alemão. Tudo isso para pegar um ônibus até o portão de embarque do próximo vôo. Esse ônibus demorou uns 30 minutos pra chegar e andou mais uns 20 minutos dentro do aeroporto. Cheguei no lugar do check in, o fiz e também troquei uns dólares e euros por rúpias e me senti milionária hahahaha. Após isso tive que passar pela segurança novamente (e lá vai notebook pra fora, casaco...) e dei uma voltinha por uma livraria do free shop de lá e paguei 400 rúpias na minha cópia do “Heroes of the Olympus: Sono f Neptune” – último livro lançado da saga do Percy Jackson, ou seja, 12 reais hahahahaa. Enfim, passei pelo portão de embarque e adivinha só: tinha um ônibus pra levar os passageiros até o avião!! De novo quase uns 20 minutos voltando para o lugar onde eu desci – não seria beeeem mais fácil passar pela segurança e o check-in por lá mesmo? E pra ser vôo doméstico, a Jet Airways está beeeeem melhor que a RyanAir na Europa: muito mais organizada para embarcar – é, RyainAir não tem lugar marcado, as pessoas correm para sentar juntas.

O ultimo vôo foi tão rápido comparado aos outros que eu quase não percebi nada em meio aos meus cochilos, tirando a vez que olhei pra janela e vi o nascer do sol mais lindo ever! O céu estava laranja, exatamente da cor da bandeira da Índia, muito lindo! Ao chegar lá, o rapaz da aiesec estava lá pra me buscar e aí começa minha aventura pela Incrível Índia..

Post muito extenso,, continua no próximo episódio