domingo, 29 de abril de 2012

Super poderes em desenvolvimento


Oii galera! Eu sei que fiquei sem escrever um pouco, é a vida não é fácil por aqui e passa muito rápido também.. já tem 2 meses que eu saí do Brasil, acredita?

Enfim, a vida continua a mesma por aqui: acordar de manha, enrolar, comer alguma coisa, ir pra empresa, voltar da empresa, enrolar, jantar, dormir  - e no meio disso tomar a quantidade máxima de banhos possível! Eu virei viciada em banho!!! Acordo de madrugada as 2h da manha e tomo um banho o.O

Agora sobre o post de hoje: a inspiração veio ontem quando fui assistir “Os Vingadores” – E AGORA O MOMENTO SPOILER DO POST, SE VOCÊ NÃO VIU O FILME, VÁ DIRETO PARA O PRÓXIMO PARÁGRAFO!!! EU NÃO VOU AVISAR DE NOVO!!! Hahahahaha. Bem, no filme, o Dr. Bruce Banner se isola em Calcutá na Índia para aprender a controlar sua raiva, e trabalha como médico ajudando as pessoas doentes na cidade.  Aí vem a questão: o que a Índia está fazendo para eu controlar o meu temperamento?

Não sei se é eu que estou ficando mais velha e mais “má” ou se é a condição de vida aqui que está me mudando. Sempre fui uma pessoa calma, equilibrada, até um pouco passiva, eu diria. Aqui as coisas estão um pouco diferentes, a frase do dia é “Por que não?” Me sinto muito mais atrevida, sem medo, tomando iniciativa e enfrentando as situações de frente. Já estou antevendo meu chefe me mandando embora porque respondi atravessado pra ele hahaha. Outro dia ele veio: você não confia em mim Luiza? Claro que não!!!! Por que eu mentiria? Parte desse comportamento vai me ajudar bastante quando eu voltar para o Brasil, mas não quero me tornar uma pessoa arrogante como eu estou me sentindo aqui.

Mas pelo outro lado estou me sentindo mais tolerante em relação a outras coisas. Aprendi a não criar expectativas e me surpreender com o qualquer resultado que aparece, desde que seja um resultado.
Acho que a soma das minhas experiências por aí nesse mundão de meu deus adicionada a intensidade das coisas aqui na Índia estão desenvolvendo um super poder em mim, algo como um sexto-sentido: eu sinto se alguma vai dar certo ou vai dar merda, merda na maioria dos casos rsrsrsrs

Agora fiquei imaginando: 2 meses aqui em reabilitação (quase sem álcool, sem festas, sem carne, cheia de roupa num calor de 42°C) já fizeram tudo isso comigo, imagina mais 7 meses aqui????!!!! Acho que eu tenho que aprender a meditar antes de cometer um assassinato hahahahaha.

Moral da estória: Super Luiza!!! Ao resgate dos fracos e indefesos!!! 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Você sabe que está na Índia quando...

Ontem a noite tava muito quente para eu dormir, aí as 4h da manhã levantei e fui dar aquela olhadinha básica no facebook e surgiu a ideia para um post! Momentos assim de criatividade tem que ser aproveitados né :D

“Você sabe que está na Índia quando...

... é 4h da manha e ta o mesmo calor de meio dia”. Sério! Abandonei o conceito de estar no quarto dormindo nesse horário. É melhor levantar e fazer alguma coisa produtiva como facebok rsrsrs.

... você vê vacas e búfalos na rua comendo o lixo e fugindo dos cachorros”. Ta, eu sabia que teriam vacas na rua, mas imaginava poucas e que elas seriam bem tratadas e não largadas como vacas “vira-latas”. Elas são muito dóceis e as vezes os cachorros de rua não querem dividir o lixo, daí começam a latir para elas, dá muita dó do “churrasquinho” correndo dos cachorros.

... o motorista do taxi (rickshaw ou tuktuk) tenta cobrar 5 vezes mais caro de você o valor da corrida só porque você é estrangeiro e não sabe como chegar no seu destino”. Fato: se o aparelho que mede as distâncias está ligado (não sei o nome do meter em português, no Brasil sou pobre e não ando de taxi, só de busão mermo hahah), o cara vai pelo caminho mais longo possível!!! E lá se vai tempo e dinheiro.

... você diz que caminhar 25 minutos não é nada e as pessoas ficam espantadas: como você pode caminhar tudo isso?!”. Aqui não existe o conceito de calçada: do muro das casas já começa o asfalto direto, mas tem como se fosse uma área que os carros “deixam” para os pedestres, mas só as vezes. Se necessário eles “invadem” essa área. Atravessar a rua também é uma aventura, todo dia dá aquela sensação de “pqp quase morri agora” ou “vai buzinar na orelha da tua mãe”

... você sai na rua e conta 3 segundos por causa da regra dos 3 segundos”. No trânsito durante o dia, você ouve uma buzina pelo menos 1 vez a cada 3 segundos. Porém essa regra não se aplica a noite, o tempo sobe para os agradáveis 5 segundos de silêncio.

... quando os indianos perguntam qual é a comida típica do seu país e você responde que come carne e eles só pensam em carne de frango”. Aqui nem pode falar em voz alta que aquelas vaquinhas na rua dariam um belo churras – se bem que eu prefiro o boi verde brasileiro, com sua dieta balanceada, vacinas, vitaminas do que as vacas de rua daqui o.O

... quando te chamam de madame”. Ah, é o ponto alto do meu dia quando as 17h40 o copeiro vem trazer o chá na minha mesa , numa xícara de porcelana e diz: seu chá, madame!

... quando os indianos querem ser seu amigo só porque você é estrangeiro”. Aqui é suuuuuper cool ter um “frrrrrriend” estrangeiro, daí pessoas aleatórias te param na rua e pedem pra ser seu amigo ou te adicionam no facebook, skype e eu nunca sei se eu conheço a pessoa ou não porque nunca lembro esses nomes indianos, aí acabo adicionando e depois vem aquela pergunta: de onde eu te conheço mesmo? Ah a gente não se conhece J - Olá! Meeedo de você indiano doido!

... quando um indiano está te paquerando e ele pergunta seu histórico familiar e se você é altamente estudada”. Sério, você acaba de conhecer uma pessoa e já pergunta o nome da mãe, profissão do pai, qual é sua graduação mais alta... esses conceitos aqui são importantes para arranjar o casório, é a caça a um bom partido. Outro post será editado em relação a relacionamentos na índia, eu prometo ;)

... quando os indianos perguntam se eu país fica perto da Itália, Espanha ou da fronteira dos EUA”. Hahahaha eles precisam de aulas de geografia urgente!!! Só conhecem os países destinos dos imigrantes indianos. Outro dia me perguntaram se Milão ficava perto do Brasil o.O

... quando toda vez que eu mato um mosquito eu penso que salvei alguma pessoa te ter febre amarela ou malária”. Eu diria que os mosquitos indianos são parentes direto dos dinossauros porque eles são muito grandes! Assustadoramente grandes, do tipo que se você está andando na rua e esbarra num mosquito, você sente! Eles precisam ter algumas aulas com os mosquitos brasileiros do tipo: “como ser um mosquito ninja” ou “a arte de morder sem ser visto”.

... quando durante o verão você pára e pensa: quando foi a ultima vez que eu vi chuva mesmo?”. 1 mês e 17 dias sem ver chuva, e tenho quase certeza que na época das monções vai ser o contrário: quando foi a ultima vez que vi o céu limpo mesmo?!

... quando alguém diz que alguma coisa vai ser feita “tomorrow” e você já tem certeza que amanha é semana que vem”. Os conceitos de comprometimento, prazos e qualidade são distorcidos aqui: amanha é semana que vem, perto é muuuuito longe, o bom é um pouco abaixo do aceitável rsrsrs

... quando você pergunta alguma coisa simples, cuja resposta seria sim ou não e os indianos respondem com aquele aceno esquisito de cabeça". É tipo uma chacoalhadinha que não significa nem sim nem não que dá muita raiva porque não é uma resposta concreta, mas devo confessar que já estou fazendo isso naturalmente!

Moral da estória: é, eu to na Índia!

sábado, 14 de abril de 2012

O 1º mês

Bom, primeiramente peço desculpas pelo meu sumiço.. acho que demorei uns 3 dias pra escrever tudo isso, então esse post pode parecer sem muita ligação, com muitas coisas meio jogadas. Não, não estou muito feliz com a estrutura desse post, i'll do my best next time :*

É, já tem 1 mês que eu estou aqui, na verdade já passou mais de 1 mês, mas só hoje (7/04) eu tive tempo pra escrever.. Queria fazer um post legal sobre o 1º mês aqui, mas criatividade está escassa, assim como proteína de origem animal no meu organismo hahahaha - sério, to começando a ficar paranoica com a falta de carne o.O

Bom, mas antes vou falar como foi essa semana,, foi legal. Eu mudei meu horário de trabalho e agora sou uma pessoa mais feliz porque trabalho das 14h as 22h e depois das 19h, o escritório fica vazio e sossegado, mó tranquilo pra trabalhar. Em relação ao trabalho em si, está frustrante porque tenho que conseguir clientes em Brasil e nenhum desalmado está respondendo meus emails. Alguém tem alguma dica de como prospectar clientes? Alguém conhece alguma empresa que precisa de recrutamento de funcionário? (propaganda é a alma do negócio).

Fim de semana passado fui ao cinema ver Fúria de Titãs 2. Cinema aqui é bem parecido com os do Brasil, tirando o fato que o filme começa exatamente no horário – sem trailers – e que tem o intervalo no meio bem de repente. Também é meio caro, um filme 3D algo em torno de 200 rupias.

Uma semana se passou e eu não escrevi nada no blog de novo.. to meio sem assunto,é só trabalho, trabalho, trabalho, preocupação com a moradia... coisas chatas

E agora o balanço do mês (na verdade de 1,5 mês porque fiquei 2 semanas sem postar):

Bom, não sei se eu já disse isso, mas tudo aqui é muito intenso. Uma hora a Índia te abraça, 1 segundo depois ela te chuta longe. Acho que eu já vi de tudo aqui: estrangeiros chegando e xingando porque é tudo sujo e bagunçado; estrangeiros indo embora com lágrima nos olhos porque não querem deixar essa sujeira e bagunça.

Aprendi o conceito do “TOmorrow”, o que significa amanha: se alguém aqui disser que algo acontecerá “amanha”, ih, pode esperar para a semana seguinte. Eles não são tão “homens de palavra” aqui.

Aprendi que a minha felicidade é muito mais barata do que eu pensava: num calor de 40°C, qualquer brisa me faz abrir um sorriso enorme no rosto. Lavar o cabelo 2x ao dia também de deixa feliz e o ápice da minha felicidade é chegar na empresa 2ªf por causa do ar condicionado hahahaha.

Sinto falta das coisas simples que a gente tem no Brasil e não dá valor. Sinto falta de sair na rua com short e blusinha de alça – aqui é ofensivo sair assim (outro dia posto sobre o código de vestimenta daqui). Sinto falta de comprar frango sem ter que procurar um mercado que venda frango – porque aqui não são todos os mercados que vendem.

Moral da estória: tenho muuuuuita coisa para vivenciar aqui!