terça-feira, 1 de maio de 2012

A Índia e as relações trabalhistas


Ae galera que está na praia/no campo tomando uma gelada e fazendo churrasco porque é feriadão!!! Beleza com vocês?  Sabe onde eu estou agora? Na empresa porque NÃO ME DERAM FOLGA NO 1º DE MAIO!!!!!

Daí a inspiração para o post de hoje: as “leis” trabalhistas aqui na Índia. Ok, eu não tenho muita informação sobre o assunto, então vou falar das minhas impressões, pode ser que na real essas leis até existam, mas não vejo muito suas aplicações por aqui.

Primeiramente, os indianos acreditam que trabalham num ambiente super competitivo porque existem muitas pessoas capacitadas para ocupar seus lugares nas empresas, então eles trabalham “muuuuito” por causa do medo de serem substituídos. Aqui entra uma diferença cultural: o muito deles é dedicar de 9 a 10 horas por dia no ambiente de trabalho, digo ficar aqui no escritório esse tempo todo, mas vejo que apenas em 40% do tempo eles estão realmente focados no trabalho. Esse mesmo número no Brasil (ao menos em SP) seria em torno de 85% a 90% eu acho; Europa algo em torno de 90 a 99% rsrsrs.

Outro problema causado pelo fato de existir muita gente capacitada no mercado de trabalho aqui é o baixo salário. Quando digo capacitada falo do pessoal que pode cursar nível superior, Não posso afirmar com certeza, mas de 15 a 20% da população aqui tem nível superior, um número baixo, mas aplicado a uma população de 1,2 bilhões é gente pra caramba!!! E não é só uma graduação (bacharelado): o pessoal faz os MBA, mestrados.. Mas como tem muita gente, o salário é baixo. Um indiano feliz no começo da carreira ganha de 15 a 20 mil rupias (entre 300 e 400 dólares) e é muuuito feliz com isso! Já para profissionais sem nível superior, salário de 3,5 a 5 mil rupias ta ótimo (é, menos de 100 dolares)! Uma vez ouvi que os guardas de transito e enfermeiros ganham algo em torno de 150 dolares o.O

Ah, e aqui o salário é seco, digo sem 13º, plano de saúde, desconto em escola para os filhos,, tem nada disso não. Eles até podem tirar férias, mas é mais o conceito de folga: você pode folgar 30 dias no ano, mas distribuídos ao longo do ano: 2 dias em janeiro, 2 em fevereiro... Ainda não sei como é no meu caso porque sou trainee e algumas regras não são as mesmas, mas se aplicada a mesma regra para os funcionários regulares, seria assim: eu comecei a trabalhar em março, daí perdi os 4 dias (2 de janeiro e 2 de fevereiro), mas em março eu só podia tirar 2 dias, se eu não tirar, eles acumulam para abril. Porém o inverso não vale: se precisar tirar 4 dias em março e não tirar nenhum em abril não pode.

Falando em férias, voltemos ao problema que você está aproveitando o feriadão e eu não. Ao perguntar para o chefe porque não teríamos folga no Dia do Trabalho, a seguinte explicação foi dada: “a pessoa só é funcionário se ela executa sua tarefa sob a supervisão de alguém; se você está supervisionando, você não é funcionário, daí não tem direito a dia do trabalho. No caso de vocês [trainees], vocês supervisionam a sua cartela de clientes, portanto não são classificados como funcionários”. Taí a explicação porque você ta no churras e eu no escritório hoje T_T

Moral da estória: Holá leis trabalhistas do Brasil, te amo!