sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Aniversário na Índia!!!


Dias 15 e 16 de agosto foram os mais melhores de bão do ano!!! Só agora que lembrei de escrever sobre meu aniversário aqui!

Bom, foi muito especial por vários motivos, mas o principal foi por estar cercada por pessoas que realmente gostam de mim!!! Passar aniversário longe da família é um tanto quanto difícil, mas quando se tem outra família digamos mundial, tudo fica mais fácil.

As comemorações começaram na 4ª feira dia 15 de agosto porque foi feriado! Claro que um dia antes do meu aniversário merece ser feriado, mas também porque a 65 anos atrás a Índia ficou independente da Inglaterra. Sendo assim, feriadoooo!!!!

Estando em casa, meu namorado lindo comprou peixe e pasmem: fiz uma moqueca de peixe!!!! E ainda tomei um copo do caldo de peixe!!! Que momento feliz!! Até coloquei mais pimenta no caldo! Quase o gosto de caranguejo!!! E depois claro que soneca a tarde inteira!

Acordei de saímos pra jantar. Acredita que eu não lembro onde fui! Enfim, não é a parte mais importante. O importante é quando eu voltei para casa, o meu presente estava na sala – o maior presente que ganhei na minha vida: um colchão!!! É isso mesmo, ganhei um colchão de aniversário do pessoal da república + namorado!!!! O fato é que eu acho que eles estavam cansados de me ouvir reclamar do colchonete que a gente tem aqui e me compraram um colchão de verdade rsrsrsrs.

Papo vai, papo vem, todo mundo deitado no colchão, nem vi a hora passar e quando deu meia noite, lá vem o bolo com as velas!!! Ah que coisa mais fofa! Eu sabia que eles estavam aprontando alguma coisa! Além do bolo, mais alguns presentinhos como lembrancinhas do Taj Mahal, livros, maquiagem e esmaltes!

Daí fui dormir no meu colchão novinho porque tinha que trabalhar no dia 16. Cheguei na empresa e algumas pessoas me deram os parabéns – visto que o skype avisa quando é aniversário de alguém. Depois de um tempo a mulher do RH veio me desejar feliz aniversário e me deu um buquê de rosas champagne!!! Muito chique, não?!

Moral da estória: comecei os 2.4 muito bem! Obrigada a todos que fizeram esse momento ser inesquecível!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A 2ª Viagem - Mount Abu e Udaipur


EEeeeeeeeeentão, pois é, tipo assim, sabe como é a vida né, tem horas que não dá né, então.. essa sou eu dando voltinhas para dizer que sim, fui viajar com meu namorado!!! Rá, morram de inveja :p

O plano inicial era comprar as passagens de ida e de volta, e não planejar o que fazer durante! Eu precisava relaxar, parar um pouco de prestar atenção em tudo, planejar tudo com antecedência.

A primeira cidade chama Mount Abu e fica no estado do Rajistão (ou Rajasthan para os entendidos de geografia). É um estado ao norte do meu atual (Gujarat) e mesmo sendo alguns Km de distância, as diferenças são perceptíveis. Era outro reino, portanto outra cultura.

Saímos de Vadodara as 21h de ônibus e chegamos a Mount Abu as 6h da manha do dia seguinte. Detalhe: o ônibus eu comprei a passagem de “sleeper”, ou seja, era uma cabine fechada com cama de casal (porque comprei 2 passagens claro)! Que delícia viajar dormindo abraçadinhos com ar condicionado!!!

Bom, Mount Abu é igual Serra Negra no estado de São Paulo! Sabe aquele lugar friozinho para passar o fim de semana? É lá! Tivemos um pouco de dificuldade para achar um hotel bom porque o meu conceito de bom estava estranhamente elevado e acabamos pagando “caro” por um quarto, algo em torno de 100 reais hahahaha!

Do hotel alugamos uma moto pelo dia inteiro: moto + combustível = 15 reais! Subimos um morro e chegamos a um templo Jainista chamado Dilwara. Pelo que entendi, Jain é uma divisão do Hinduísmo um pouco mais extrema: são 100% vegetarianos, isto é, nem ovo comem, e alguns alimentos também são proibidos, como alho e cebola, porque são considerados “forte” e atrapalham o senso crítico, levando as pessoas a cometerem besteiras :s

Tradições a parte, o templo é lindooo! Fotos não são permitidas lá dentro, e como todo templo hindu, tem que entrar descalço (ou de meias). Nesse site tem uma foto da parte de dentro do templo. http://www.mountabu.com/tourist_attractions/dilwara_jain_temple.html

Saindo desse templo fomos almoçar e começou a minha saga de comida indiana! E por incrível que pareça, 
fui para o Norte e comi bastante comida indiana do Sul, porque meu namorado é do Sul e ele sente saudade dessa comidinha! Oooooohn!

Depois subimos outro morro para ver a vista de todo lugar! Chamado Sunset Point (ou ponto do pôr-do-sol para os menos familiarizados com o idioma bretão), o lugar é no topo da montanha e tem um templo também. Pena que por causa da neblina não dava pra ver muita coisa, mas só o passeio de moto valeu a pena! http://www.gurukrupatours.com/images/Mount-Abu.jpg

Voltamos para o hotel para descansar porque a subida e descida nos deixaram mortos: eu com gripe e ele com dor de cabeça. O bom de não planejar as coisas é não ter horário para nada: se quiser dormir as 5 da tarde, é só encostar a cabeça no travesseiro e dormir :D Quando acordamos fomos caçar um alimento e dar uma voltinha no centrinho da cidade. Mais uma vez igual a Serra Negra na temporada!

Aí vem a brilhante ideia: vamos andar de pedalinho no lago Nakki – as 9h da noite!! Por que não né galera, quem nunca entrou numa embarcação num lago escuro na Índia? E o mais engraçado é quem disse que a gente conseguia sair do lugar rsrsrsrs. Nesse link tem algumas fotos do lugar http://www.google.com/search?q=Nakki+Lake&hl=pt-BR&prmd=imvns&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=KD8ZUNOeA87EswbjgoCADg&ved=0CFcQsAQ&biw=1280&bih=709

Depois da “aventura” no pedalinho, fomos caçar algum alimento.. compramos frango tandoori e levamos pra comer no hotel – é isso mesmo!! Farofadaaa!!!

Bom, no dia seguinte acordamos cedo e tava uma neblina na cidade que deu medo, parecia filme de terror!!! Pegamos o ônibus para Udaipur: 150km de viagem em agradáveis 5 horas, claro que com direito a 2 paradas de meia hora cada!!!!

Nesse trajeto durante o dia foi interessante ver as propriedades rurais na estrada – sim, eu estudei Administração e Agronegócios e as vezes lembro da parte “agro”. As “fazendas” tem áreas cultivadas bem pequenas comparadas com as nossas no Brasil, pequenas o suficiente para não se poder usar nenhum trator, mas “grandes” para o trabalho manual e tração animal. Pelo jeito a “revolução verde” ainda ta longe de acontecer aqui.

Chegamos em Udaipur por volta de 1h da tarde e tínhamos até as 9h da noite pra conhecer a cidade e não tínhamos nem ideia de onde começar! Improviso é a alma do negócio galera! Perguntamos ao motorista do auto rickshaw – é aquele triciclo também chamado de tuk-tuk – e ele nos levou ao Palácio da Cidade. Super lindo!!! Vale uma visita demorada com certeza. http://www.visitindia.org.in/rajasthan/images/city%20palace%20udaipur.jpg

De lá o próximo motorista recomendou o teleférico até o Sunset Point para ver o pôr-do-sol, pena que tava meio nublado. É, mais uma vez eu enfrentando o perigo de frente, por que ao andar de bondinho na Índia???!!! Muito bacana a vista da cidade, e dos lagos e as construções no meio do lago https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh4CzUfdiWLkiRUZ5rLCRC8sBiyvNiEGRv1i6nIgKH00fGSmj4JubdziopGxrDU032GYFte1vaHgyKeUXgM1GG3MSoSsPadsSzm_M4Ue7_CBJHMYToDp4zu5oBw1p-sQnCWApq2Wkh6vd-7/s640/360view.JPG

Saindo de lá uma paradinha estratégica no shopping para utilizar as instalações sanitárias – jeito bonito de dizer que precisávamos de um banheiro urgentemente!!! Problema resolvido, tínhamos 3 horas até o horário de partida do ônibus!

Recomendação de outro motorista, fomos a outro lugar que foi total surpresa para mim porque eu não fazia ideia de onde estava indo. O rickshaw deixou a gente na entrada de uma barca, achei que era só um passeiozinho no lago. E sim, novamente eu entrando numa embarcação, quase de noite, na Índia!
Vale ressaltar que o ticket dessa barca para indianos era tipo 20 rupias e para estrangeiros, algo em torno de 125, e mais uma vez “Luiza não abre a boca que você passa por indiana”! A balsa deixou a gente numa ilha no meio do lago onde um dos reis mandou fazer um jardim Nehru Garden!!! Por que não ter um jardim no meio do lago?! Lindo lindo!! Ficamos uns 40 minutos lá, só de “meia folha” – expressão santista para dizer “de boa na lagoa”! Rsrsrsrs sim, estávamos de boa no meio de uma lagoa! Nem foi intenção fazer essa piada, até eu estou surpresa com meu subconsciente! http://udaipurcityoflakes.files.wordpress.com/2012/06/nehru_garden-1.jpg

Depois dessa ilha fomos jantar e de lá pegar o ônibus para voltar a Baroda. Nem precisa dizer que eu apaguei na viagem, dormi igual a um bebê até as 4 da manha, porque minha parada era as 5h e eu não queria perder o ponto.

Então foi isso, uma viagem sem muito planejamento e cheia de surpresas ótimas pelo caminho, mal posso esperar para o próximo destino!

Moral da estória: relaxa Luiza que no fim tudo dá certo ;)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Quase 5 meses de Índia


Faaaaala galera, beleza?

Minha ausência no blog se deve a um único e exclusivo motivo: 1,80m, moreno, usa óculos, adora arroz com ovo e está até me fazendo ir na academia para malhar rsrsrs. Por esse pequeno motivo estou fora da internet, principalmente nos fins de semana.

Fora essa alegria no coração, a vida por aqui continua na mesma: no serviço aquela briga para fazer o que eu vim fazer. Acho que não contei essa parte ainda, vamos lá. Era uma vez certa descrição do cargo tava escrito que meu trabalho seria pesquisa de mercado, o que graças ao Profº Marcelo eu adoro fazer: levantar informações para basear as decisões empresariais. Chegando aqui meu querido chefe me colocou para fazer Vendas – a decisão de abrir uma filial da empresa indiana no Brasil seria baseada no número de clientes que eu arrumasse enquanto estiver aqui.

A estratégia para conseguir clientes era baseada na pesca: mandar um monte de email e ver quem responde! Sério, nada de marketing, nem um website em português eles queriam fazer, nem um perfil corporativo no linkedin! E covenhamos, eu e vendas?! Rsrsrs

Outro problema com esse departamento de vendas era: ok, conseguimos um cliente, agora precisamos prestar o serviço que vendemos certo? Anunciamos que podemos fazer recrutamento de candidatos em qualquer lugar do mundo, mas a base de currículos não é assim uma Brastemp (hahahaha saudades do tempo de Whirlpool em Rio Claro/SP).

Enfim, depois de 4 meses de brigas, finalmente fomos ouvidos e agora estamos alocados para pesquisa de mercado :D Mas as coisas ainda andam meio esquisitas no escritório, talvez algumas cabeças rolem antes do término do contrato – vish!

Enquanto no escritório as coisas estão ficando complicadas, viver na Índia está cada vez mais fácil. O segredo é não remar contra a maré, simples assim! Estou começando a me virar bem aqui, e como pareço indiana, as pessoas falam comigo em Hindi, Gurajati, mas o que eu entendo mesmo é o Hinglês, a mistura de Hindi com Inglês. Agora lá compro algumas coisas nos mercados locais (onde as pessoas não falam inglês, o que não acontece nos supermercados luxuosos e limpos :s). Mando minhas roupas para lavar no carinha da esquina: sério, por 15 rupias (algo como 50 centavos) ele lava e passa 2 peças de roupas, tipo uma camisa social e a calça social! Por 50 centavos não dão nem bom dia aí no Brasil hahahaha.

E o mais esperado aconteceu: chegou a época da chuva!!! A primeira chuvarada de verdade fomos pro terraço tomar banho de chuva! Aqui eu esperava inundações constantes, com vacas nadando nas ruas, cachorros e esquilos se refugiando em árvores, mas que nada! Como Gujarat é um estado seco (com direito a desertos), as chuvas não pegam muito aqui não, então a primeira chuva foi especial *.*

Moral da estória: estando na Índia, reme na maré dos indianos ;)

terça-feira, 12 de junho de 2012

A viagem para Mumbai


Primeiramente não me xingue, eu sei que faz tempo que não escrevo... também faz tempo que não durmo direito, não trabalho direito, só como direito rsrsrsrs. Digamos que o coração está me controlando mais do que a razão. É , isso mesmo, para bom entendedor, meia palavra basta!

Mas aproveitei um fim de semana de “solteirice” e fui a Mumbai (antigamente conhecida como Bombay) de trem com os outros trainees que moram comigo. Foi minha primeira viagem de trem na Índia e uma coisa é fato: estação de trem aqui é para as pessoas de estômago forte, os fracos não sobrevivem.

Viajar de trem na Índia é muito barato se a pessoa opta pela classe mais barata: ela é tão barata que mal te dá direito a um assento! As outras classes porém (3ª, 2ª e 1ª classe) são extremamente confortáveis: ar condicionado, camas com lençóis limpos e refeição. Viajamos na 3ª classe numa cabine com 8 camas, ar condicionado, água, refeição e a viagem de ida e volta, comprada 2 semanas antes por uma agência de turismo custou em torno de 1500 rupias, ou simples R$45,00! Super barato!!!! Para ir, saímos de Baroda as 3:40 da manha e chegamos lá as 8h40. Acho que foi uma das minhas melhores noites de sono aqui por causa do ar condicionado e do cansaço.

Chegando lá, outra coisa para estômagos fortes: pegar o ônibus circular para ir da estação de trem até o hotel, que era perto do Gateway of India! Acho que sou muito brasileira nesse sentido, sinto falta das catracas, do cobrador sentadinho na cadeirinha dele. Aqui o cobrador fica andando pelo ônibus, perguntando onde você vai para calcular a tarifa. Enfim, chegamos a esse lugar e WOW!!! Super lindo! Lembra o Arco do Triunfo em Paris, só que a beira-mar para recepcionar os reis que vinham visitar a Índia.
De lá, mais uma vez força no estômago: pegar uma barca para ir para a Elephanta Island. Isso, se andar de trem e ônibus circular não fosse o suficiente, pegamos 1h de barca no mar arábico para chegar nessa ilha e ver um dos patrimônios da UNESCO, um conjunto de templos cravados em cavernas, datados do século VII. Valeu muito a pena ir até lá, e a barca foi 130 rupias, quase R$4,00 para ida e volta! C’mon, com 4 reais eu não vou de Cubatão a Santos de circular rsrsrsrs.

Na volta fomos fazer o check-in no hotel e outra boa surpresa: reservei o hotel baseada em algumas recomendações via facebook, mas não tava botando muita fé porque foi o lugar mais barato que a gente achou! Achei que seria o maior pulgueiro da história e quando chegamos lá, o lugar era super jeitoso! Limpo, novo e com europeus andando semi-nus no corredor para a alegria da mexicana! Uma diária saiu por R$13,00 cada um :D

Depois do check-in, descansamos um pouco e fomos desbravar Colaba em busca de um lugar pra jantar e encontramos Leopolds Café! Aaaaah que alegria! Cerveja e carne – de búfalo, mas mesmo assim melhor do que suco e frango né galera rsrsrsrsrs. Depois do Leopolds fomos a um bar dentro de um hotel de luxo, mas a pobreza só permitiu beber 1 copo de bacardi com Pepsi, mas o lugar era chic!
Depois fomos andando pela Marine Lane, também conhecido como Queen’s Neckless: um calçadão com bancos para sentar com vista para o mar! Finalmente vi alguma coisa que parecia familiar: as ondas batendo nas rochas, o cheiro de água salgada.. foi uma recarga nas energias. Depois disso pegamos o taxi e voltamos para o hotel.

Ao acordar no domingo de manha uma surpresa: chuva!!! As monções chegaram!!!! Foi a primeira chuva de verdade que a gente viu! Durou 1 hora mais ou menos, foi o tempo de tomar banho e café da manha para sair. Queríamos ir ao Museu de Mahatma Gandhi, é isso mesmo, queríamos, foi um tanto complicado chegar lá: pegamos um ônibus que deveria parar perto, mas depois de uma meia hora descobrimos que não ia chegar nem perto do lugar, daí descemos e pedimos para um taxi levar a gente. Depois de toda negociação de preço e explicar que queríamos ir lá, o cara levou a gente de volta pro lugar onde pegamos o ônibus, ele só entendeu museu, e não Gandhi museu!!!  Esse outro museu é de arte, seria interessante visita-lo, mas para estrangeiros o ingresso era 300 rupias (9 reais). Ta, eu sei que não é muito, mas a grana já tava curta e ainda tínhamos que almoçar e pegar outro transporte para a estação para voltar de trem para Baroda, então decidimos não ir a esse museu e fomos atrás de outro taxi para ir ao Gandhi Museu.
Enfim achamos o Gandhi Museu! Está localizado numa casa que ele usava como escritório quando estava em Mumbai, tem até uma pequena biblioteca lá. É definitivamente um passeio que vale a pena! E de graça :D

De lá fomos de taxi a Bandra, outra área nobre de Mumbai! Almoçamos no KFC – éeeee, frango frito galera! Depois tivemos que fazer uma parada estratégia na loja de bebidas – ta, deixe-me explicar o motivo: eu moro no estado chamado Gujarat e aqui álcool é proibido para os indianos, e os estrangeiros podem comprar cotas semanais, desde de que paguem pela licença. Como estávamos em outro estado que a bebida é liberada, tivemos que aproveitar a oportunidade: 2 vinhos e 1 rum contrabandeados para Baroda :D Ta, eu sei que não fiz uma boa ação porque economizei no museu para comprar bebida, mas queria ver você nessa situação :p

Da loja de bebidas paramos num café para a sobremesa – torta de limão com cappuccino gelado (que dia feliz!) e na hora de ir para a estação de trem, chuuuuuva de novo! Pegamos o taxi, chegamos na estação e esperamos 30 minutos para pegar o trem de volta. Nesse trem ofereceram tanta comida que chegou um ponto que eu fiquei desconfiada se tudo aquilo tava incluso no preço da passagem: 1l de água, sanduíche, café, sopa e depois o jantar: frango, arroz, salada, yougurte.. e para sobremesa sorvete! Foram quase 6h comendo de lá até aqui rsrsrsrs.

Enfim, o passeio foi muito bom, pena que foi curto. Adorei as 2 áreas de Mumbai que eu conheci (Colaba e Bandra). Talvez eu não vi a realidade da cidade porque fiquei na área nobre, mas do mesmo jeito a cidade entrou para a minha lista de lugares preferidos no mundo!

Moral da estória: é, acho que posso morar em Mumbai!

terça-feira, 1 de maio de 2012

A Índia e as relações trabalhistas


Ae galera que está na praia/no campo tomando uma gelada e fazendo churrasco porque é feriadão!!! Beleza com vocês?  Sabe onde eu estou agora? Na empresa porque NÃO ME DERAM FOLGA NO 1º DE MAIO!!!!!

Daí a inspiração para o post de hoje: as “leis” trabalhistas aqui na Índia. Ok, eu não tenho muita informação sobre o assunto, então vou falar das minhas impressões, pode ser que na real essas leis até existam, mas não vejo muito suas aplicações por aqui.

Primeiramente, os indianos acreditam que trabalham num ambiente super competitivo porque existem muitas pessoas capacitadas para ocupar seus lugares nas empresas, então eles trabalham “muuuuito” por causa do medo de serem substituídos. Aqui entra uma diferença cultural: o muito deles é dedicar de 9 a 10 horas por dia no ambiente de trabalho, digo ficar aqui no escritório esse tempo todo, mas vejo que apenas em 40% do tempo eles estão realmente focados no trabalho. Esse mesmo número no Brasil (ao menos em SP) seria em torno de 85% a 90% eu acho; Europa algo em torno de 90 a 99% rsrsrs.

Outro problema causado pelo fato de existir muita gente capacitada no mercado de trabalho aqui é o baixo salário. Quando digo capacitada falo do pessoal que pode cursar nível superior, Não posso afirmar com certeza, mas de 15 a 20% da população aqui tem nível superior, um número baixo, mas aplicado a uma população de 1,2 bilhões é gente pra caramba!!! E não é só uma graduação (bacharelado): o pessoal faz os MBA, mestrados.. Mas como tem muita gente, o salário é baixo. Um indiano feliz no começo da carreira ganha de 15 a 20 mil rupias (entre 300 e 400 dólares) e é muuuito feliz com isso! Já para profissionais sem nível superior, salário de 3,5 a 5 mil rupias ta ótimo (é, menos de 100 dolares)! Uma vez ouvi que os guardas de transito e enfermeiros ganham algo em torno de 150 dolares o.O

Ah, e aqui o salário é seco, digo sem 13º, plano de saúde, desconto em escola para os filhos,, tem nada disso não. Eles até podem tirar férias, mas é mais o conceito de folga: você pode folgar 30 dias no ano, mas distribuídos ao longo do ano: 2 dias em janeiro, 2 em fevereiro... Ainda não sei como é no meu caso porque sou trainee e algumas regras não são as mesmas, mas se aplicada a mesma regra para os funcionários regulares, seria assim: eu comecei a trabalhar em março, daí perdi os 4 dias (2 de janeiro e 2 de fevereiro), mas em março eu só podia tirar 2 dias, se eu não tirar, eles acumulam para abril. Porém o inverso não vale: se precisar tirar 4 dias em março e não tirar nenhum em abril não pode.

Falando em férias, voltemos ao problema que você está aproveitando o feriadão e eu não. Ao perguntar para o chefe porque não teríamos folga no Dia do Trabalho, a seguinte explicação foi dada: “a pessoa só é funcionário se ela executa sua tarefa sob a supervisão de alguém; se você está supervisionando, você não é funcionário, daí não tem direito a dia do trabalho. No caso de vocês [trainees], vocês supervisionam a sua cartela de clientes, portanto não são classificados como funcionários”. Taí a explicação porque você ta no churras e eu no escritório hoje T_T

Moral da estória: Holá leis trabalhistas do Brasil, te amo!

domingo, 29 de abril de 2012

Super poderes em desenvolvimento


Oii galera! Eu sei que fiquei sem escrever um pouco, é a vida não é fácil por aqui e passa muito rápido também.. já tem 2 meses que eu saí do Brasil, acredita?

Enfim, a vida continua a mesma por aqui: acordar de manha, enrolar, comer alguma coisa, ir pra empresa, voltar da empresa, enrolar, jantar, dormir  - e no meio disso tomar a quantidade máxima de banhos possível! Eu virei viciada em banho!!! Acordo de madrugada as 2h da manha e tomo um banho o.O

Agora sobre o post de hoje: a inspiração veio ontem quando fui assistir “Os Vingadores” – E AGORA O MOMENTO SPOILER DO POST, SE VOCÊ NÃO VIU O FILME, VÁ DIRETO PARA O PRÓXIMO PARÁGRAFO!!! EU NÃO VOU AVISAR DE NOVO!!! Hahahahaha. Bem, no filme, o Dr. Bruce Banner se isola em Calcutá na Índia para aprender a controlar sua raiva, e trabalha como médico ajudando as pessoas doentes na cidade.  Aí vem a questão: o que a Índia está fazendo para eu controlar o meu temperamento?

Não sei se é eu que estou ficando mais velha e mais “má” ou se é a condição de vida aqui que está me mudando. Sempre fui uma pessoa calma, equilibrada, até um pouco passiva, eu diria. Aqui as coisas estão um pouco diferentes, a frase do dia é “Por que não?” Me sinto muito mais atrevida, sem medo, tomando iniciativa e enfrentando as situações de frente. Já estou antevendo meu chefe me mandando embora porque respondi atravessado pra ele hahaha. Outro dia ele veio: você não confia em mim Luiza? Claro que não!!!! Por que eu mentiria? Parte desse comportamento vai me ajudar bastante quando eu voltar para o Brasil, mas não quero me tornar uma pessoa arrogante como eu estou me sentindo aqui.

Mas pelo outro lado estou me sentindo mais tolerante em relação a outras coisas. Aprendi a não criar expectativas e me surpreender com o qualquer resultado que aparece, desde que seja um resultado.
Acho que a soma das minhas experiências por aí nesse mundão de meu deus adicionada a intensidade das coisas aqui na Índia estão desenvolvendo um super poder em mim, algo como um sexto-sentido: eu sinto se alguma vai dar certo ou vai dar merda, merda na maioria dos casos rsrsrsrs

Agora fiquei imaginando: 2 meses aqui em reabilitação (quase sem álcool, sem festas, sem carne, cheia de roupa num calor de 42°C) já fizeram tudo isso comigo, imagina mais 7 meses aqui????!!!! Acho que eu tenho que aprender a meditar antes de cometer um assassinato hahahahaha.

Moral da estória: Super Luiza!!! Ao resgate dos fracos e indefesos!!! 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Você sabe que está na Índia quando...

Ontem a noite tava muito quente para eu dormir, aí as 4h da manhã levantei e fui dar aquela olhadinha básica no facebook e surgiu a ideia para um post! Momentos assim de criatividade tem que ser aproveitados né :D

“Você sabe que está na Índia quando...

... é 4h da manha e ta o mesmo calor de meio dia”. Sério! Abandonei o conceito de estar no quarto dormindo nesse horário. É melhor levantar e fazer alguma coisa produtiva como facebok rsrsrs.

... você vê vacas e búfalos na rua comendo o lixo e fugindo dos cachorros”. Ta, eu sabia que teriam vacas na rua, mas imaginava poucas e que elas seriam bem tratadas e não largadas como vacas “vira-latas”. Elas são muito dóceis e as vezes os cachorros de rua não querem dividir o lixo, daí começam a latir para elas, dá muita dó do “churrasquinho” correndo dos cachorros.

... o motorista do taxi (rickshaw ou tuktuk) tenta cobrar 5 vezes mais caro de você o valor da corrida só porque você é estrangeiro e não sabe como chegar no seu destino”. Fato: se o aparelho que mede as distâncias está ligado (não sei o nome do meter em português, no Brasil sou pobre e não ando de taxi, só de busão mermo hahah), o cara vai pelo caminho mais longo possível!!! E lá se vai tempo e dinheiro.

... você diz que caminhar 25 minutos não é nada e as pessoas ficam espantadas: como você pode caminhar tudo isso?!”. Aqui não existe o conceito de calçada: do muro das casas já começa o asfalto direto, mas tem como se fosse uma área que os carros “deixam” para os pedestres, mas só as vezes. Se necessário eles “invadem” essa área. Atravessar a rua também é uma aventura, todo dia dá aquela sensação de “pqp quase morri agora” ou “vai buzinar na orelha da tua mãe”

... você sai na rua e conta 3 segundos por causa da regra dos 3 segundos”. No trânsito durante o dia, você ouve uma buzina pelo menos 1 vez a cada 3 segundos. Porém essa regra não se aplica a noite, o tempo sobe para os agradáveis 5 segundos de silêncio.

... quando os indianos perguntam qual é a comida típica do seu país e você responde que come carne e eles só pensam em carne de frango”. Aqui nem pode falar em voz alta que aquelas vaquinhas na rua dariam um belo churras – se bem que eu prefiro o boi verde brasileiro, com sua dieta balanceada, vacinas, vitaminas do que as vacas de rua daqui o.O

... quando te chamam de madame”. Ah, é o ponto alto do meu dia quando as 17h40 o copeiro vem trazer o chá na minha mesa , numa xícara de porcelana e diz: seu chá, madame!

... quando os indianos querem ser seu amigo só porque você é estrangeiro”. Aqui é suuuuuper cool ter um “frrrrrriend” estrangeiro, daí pessoas aleatórias te param na rua e pedem pra ser seu amigo ou te adicionam no facebook, skype e eu nunca sei se eu conheço a pessoa ou não porque nunca lembro esses nomes indianos, aí acabo adicionando e depois vem aquela pergunta: de onde eu te conheço mesmo? Ah a gente não se conhece J - Olá! Meeedo de você indiano doido!

... quando um indiano está te paquerando e ele pergunta seu histórico familiar e se você é altamente estudada”. Sério, você acaba de conhecer uma pessoa e já pergunta o nome da mãe, profissão do pai, qual é sua graduação mais alta... esses conceitos aqui são importantes para arranjar o casório, é a caça a um bom partido. Outro post será editado em relação a relacionamentos na índia, eu prometo ;)

... quando os indianos perguntam se eu país fica perto da Itália, Espanha ou da fronteira dos EUA”. Hahahaha eles precisam de aulas de geografia urgente!!! Só conhecem os países destinos dos imigrantes indianos. Outro dia me perguntaram se Milão ficava perto do Brasil o.O

... quando toda vez que eu mato um mosquito eu penso que salvei alguma pessoa te ter febre amarela ou malária”. Eu diria que os mosquitos indianos são parentes direto dos dinossauros porque eles são muito grandes! Assustadoramente grandes, do tipo que se você está andando na rua e esbarra num mosquito, você sente! Eles precisam ter algumas aulas com os mosquitos brasileiros do tipo: “como ser um mosquito ninja” ou “a arte de morder sem ser visto”.

... quando durante o verão você pára e pensa: quando foi a ultima vez que eu vi chuva mesmo?”. 1 mês e 17 dias sem ver chuva, e tenho quase certeza que na época das monções vai ser o contrário: quando foi a ultima vez que vi o céu limpo mesmo?!

... quando alguém diz que alguma coisa vai ser feita “tomorrow” e você já tem certeza que amanha é semana que vem”. Os conceitos de comprometimento, prazos e qualidade são distorcidos aqui: amanha é semana que vem, perto é muuuuito longe, o bom é um pouco abaixo do aceitável rsrsrs

... quando você pergunta alguma coisa simples, cuja resposta seria sim ou não e os indianos respondem com aquele aceno esquisito de cabeça". É tipo uma chacoalhadinha que não significa nem sim nem não que dá muita raiva porque não é uma resposta concreta, mas devo confessar que já estou fazendo isso naturalmente!

Moral da estória: é, eu to na Índia!