segunda-feira, 5 de março de 2012

A Viagem

Depois de algumas horas desconectada do mundo, aqui estou eu para contar como finalmente cheguei a Baroda (ou a Vadodara, para os íntimos que conseguem pronunciar “Vadodra”).

Saí de casa em Cubatão com a sensação que estava esquecendo alguma coisa, até agora não descobri o que é. De casa até o aeroporto de Guarulhos agora é super rápido por causa do Rodoanel. Cheguei ao aeroporto, fiz meu check-in, despachei a mala grande (com exatos 23,2 kg), fui comprar alguns dólares, despedi do meu pai, passei pela segurança e cheguei na área mais legal de todas: o Duty Free Shop do aeroporto de Guarulhos!!! Sabe por que ele é o mais legal? Porque é o mais barato!!!! Free shops na Europa são muito caros, não vale muito a pena (vi em Londres uma garrafa de vodka Smirnoff por £12, ou algo em torno de 30 reais – não tenho certeza, mas uma dessas no mercado normal não custa tipo 20 reais? :s No free shop não resisti e comprei um rímel M.A.C!!!

O primeiro vôo foi de Guarulhos a Londres e durou 9h... Pra minha sorte fiquei bem no meio do corredor, com um bebê de uns 3 meses de idade na minha frente. Tirando isso, foi bem agradável voar pela British Airways, mais confortável do que quando fui pra Alemanha pela Iberia... A British tem telas individuais, daí consegui assistir O Gato de Botas. Eu queria ter visto outros filmes, mas o sono me venceu – e ainda bem que venceu o bebê na minha frente rsrsrsrs.

O transfer em Londres foi tranqüilo também, tirando a parte de passar pela segurança: lá vai tirar notebook da mochila, ter todos os líquidos, gel, gloss com menos de 100ml num saco transparente com fecho zip lock, tirar cachecol, casaco... Como não cheguei a entrar no Reino Unido, não precisei entrar na fila para carimbar o passaporte (snif, snif... queria mais um carimbo de Londres), mas o aeroporto de Heathrow é muito grande... tive que pegar um metrô pra ir de um portão de desembarque ao portão de embarque e isso no mesmo Terminal 5.

Já no vôo pra Índia, também operado pela British e com duração de 9h, consegui sentir que realmente iria ser diferente, visto pela quantidade de indianos embarcando, pelo fato de tudo estar escrito em inglês e hindu, pelo uniforme das aeromoças ou pelo bigode do aeromoço. E para a minha sorte, óbvio que tinha um bebê também, mas era uma menina de quase 1 ano (ou mais, aqui eles passam lápis de olho nas crianças para afastar o mau olhado, então as crianças parecem mais velhas). Também tinham os mesmos filmes para assistir, mas o sono não me deixava terminar o filme, daí apelei para as séries de TV, com episódios de meia hora.. acho que assisti uns 5 episódios. Tudo indo bem até chegar na hora do almoço (eu peguei o vôo as 10h15 no horário de Londres). O comissário bigodudo me deu 2 opções: blábláblá veggie or chickpea with curry – óbvio que a múmia aqui entendeu chicken with pea with curry e pediu esse. Tradução: “você quer grão de bico com curry? Sim, eu aceito o frango” ¬¬ Tudo veio suuuuper temperado: um arroz com muuuitos temperos (dos quais só identifiquei grão de mostrada preta), o grão de bico com muuuuuito curry e um mato tipo espinafre ou algo do tipo com muuuuuuito cominho, era cominho com mato, e não mato temperado com cominho. Depois no jantar foi servido um wrap de frango com curry (agora sim era frango) ou de vegetais. O bom foi que este vôo estava vazio, então dava pra deitar um pouco nas fileiras do meio.

Tudo indo bem e cheguei no aeroporto de Mumbai (antiga Bombai, para os que não acompanham as mudanças geográficas da Índia hahahaha – nem eu!). Desci do avião e tinha que passar pela imigração: uma fila de umas 150 pessoas mais ou menos. Até que o policial que carimbou meu visto foi de boa: perguntou até quando eu ia ficar porque acima de 180 dias eu tenho que me apresentar na polícia para fazer um registro de estrangeiro. Passei pela segurança, peguei minha mala e lá fui começar a peregrinação para pegar o vôo doméstico até Baroda. Segui as placas e tive que passar minha bagagem toda (inclusive a mala grande – super fácil colocar essa mala numa esteira inclinada ¬¬) por um raio x pra ganhar um selo de aprovado pela segurança. Fui dar numa sala com um policial que queria saber para onde eu ia: falei que ia pegar o vôo para Baroda, tive que mostrar a passagem e o passaporte: ele ficou uns 5 minutos olhando meu passaporte, vendo meus vistos antigos – o cara mal sabia inglês e queria ler meu visto em alemão. Tudo isso para pegar um ônibus até o portão de embarque do próximo vôo. Esse ônibus demorou uns 30 minutos pra chegar e andou mais uns 20 minutos dentro do aeroporto. Cheguei no lugar do check in, o fiz e também troquei uns dólares e euros por rúpias e me senti milionária hahahaha. Após isso tive que passar pela segurança novamente (e lá vai notebook pra fora, casaco...) e dei uma voltinha por uma livraria do free shop de lá e paguei 400 rúpias na minha cópia do “Heroes of the Olympus: Sono f Neptune” – último livro lançado da saga do Percy Jackson, ou seja, 12 reais hahahahaa. Enfim, passei pelo portão de embarque e adivinha só: tinha um ônibus pra levar os passageiros até o avião!! De novo quase uns 20 minutos voltando para o lugar onde eu desci – não seria beeeem mais fácil passar pela segurança e o check-in por lá mesmo? E pra ser vôo doméstico, a Jet Airways está beeeeem melhor que a RyanAir na Europa: muito mais organizada para embarcar – é, RyainAir não tem lugar marcado, as pessoas correm para sentar juntas.

O ultimo vôo foi tão rápido comparado aos outros que eu quase não percebi nada em meio aos meus cochilos, tirando a vez que olhei pra janela e vi o nascer do sol mais lindo ever! O céu estava laranja, exatamente da cor da bandeira da Índia, muito lindo! Ao chegar lá, o rapaz da aiesec estava lá pra me buscar e aí começa minha aventura pela Incrível Índia..

Post muito extenso,, continua no próximo episódio

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